A 37ª Festa do Cruzeiro realizada no Beco movimentou a comunidade no sábado e domingo, dias 20 e 21 de setembro, mas os preparativos tiveram início bem antes. Os integrantes da Comitiva Sem Fronteira foram os festeiros de 2025 e com o apoio de toda a comunidade prepararam com muito carinho os espaços do festejo. Foi uma festa de tirar o chapéu, marcada pela união dos moradores, momentos de muita alegria, tradição e renovação da fé.
Na programação deste ano, os moradores incluíram a realização da novena, que percorreu uma casa a cada dia e foi finalizada no sábado, com celebração religiosa. À noite, a comunidade saiu em procissão até o Cruzeiro, onde teve levantamento da bandeira e depois show ao vivo com banda regional, no campo da comunidade. No domingo, dia 21, também teve show e barracas com comidas típicas.

Para Nilza Maria Rodrigues, que nasceu no Beco, a Festa vem inovando a cada ano. “Na minha geração, saía bandeira das casas, com reinado, sanfoneiro e violeiro. Não tinha show com forrozeiro de fora, o arrasta pé era no terreiro mesmo. Antes, a festa ocorria nas casas, hoje é no campo. Como é tradição, o importante é continuar, e nós temos que acompanhar estas renovações. Só de ver tantas pessoas ajudando, envolvidas, já vale a pena participar!”.
“A gente pega com Deus para essa festa nunca acabar. Enquanto a gente estiver vivo estaremos ajudando e depois os nossos filhos vão dar continuidade. Meu coração é só alegria!”.
Antônio Ciro dos Santos, morador do Beco

“Essa Festa é dos tempos dos antigos, dos quilombolas. Estamos dando continuidade a uma tradição. Desde que eu me entendo por gente tem essa cruz aqui. Eu comecei a enfeitar a cruz com minha sogra e continuei porque o pessoal viu que eu tinha jeito e me deixaram com essa responsabilidade. Hoje, a gente compra os enfeites prontos, mas na época, minha sogra passava a noite cortando aqueles papeizinhos. O povo aqui tem muita fé! Sem Deus a gente não é nada”, disse Welbert Silva Barbosa (Dico).
Helena Aparecida Simões Silva auxilia na ornamentação todos os anos, disse: “Estou dando o melhor para que tudo ocorra bem e fique bem bonito. Olha quantas pessoas vieram para ajudar a enfeitar! A festa, sem dúvidas, é uma partilha!”
“Primeiro a gente agradece a Deus e depois a gente dança um forró”, completou Devânio Aparecido de Jesus (Belo), que também ajudou na ornamentação da Festa.

“Meu tio, Antônio Rodrigues da Silva, que era muito religioso, combinou com seus irmãos e outras pessoas e fizeram a cruz. Eles colocaram aqui por ser um lugar alto e bonito. Eu tinha uns 5 anos e no dia em que colocaram eu estava aqui com minha mãe. Os antigos diziam que aqui, no alto da Cruz, aparecia uma luz, que vinha do mato, se movimentava e que era Jesus. Todos cantavam assim: ‘Uma excelência da Senhora da luz, que nos dê luz. A luz que nos ilumina é nosso Bom Jesus’”
Otonília Rodrigues da Silva, conhecida por Tunica, que hoje tem 89 anos.
Ela chegou ao Cruzeiro, no início da manhã de sábado, para fazer suas orações junto com sua filha Ana Maria Silva Ribeiro e seu cão Lindão. “Estou aqui para fazer minhas orações. À noite, além de estar escuro, é muita gente e não tenho como andar direito. Já subi muitas vezes aqui, mas antes eu chegava na frente de todo mundo (risos)”, recordou com alegria Tunica.
Ana Maria atualmente divide seu tempo entre Belo Horizonte e Beco, disse: “Estou sempre por aqui. Na Festa, só deixei de vir um ano porque estava doente. Cheguei no terceiro dia da novena e participei até ontem. Cada dia foi na casa de uma família. As famílias procuraram fazer tudo com muita dedicação. Cada uma fez um lanche mais gostoso que a outra, com muita fartura. Em algumas casas tinha até cantor e violão. Foi uma benção de Deus, tudo muito lindo”.
Reportagem e fotos: Patrícia Castanheira
Edição: Brígida Alvim
Locução: Patrícia Castanheira e Rodrigo Teixeira
Comunicação ATI 39 Nacab