No dia 27 de junho, vereadores de Pequi realizaram uma audiência pública na Câmara Municipal, para debater a luta pelo direito à reparação integral das pessoas atingidas e sobre os anexos do Acordo Judicial de Reparação do desastre-crime da Vale em Brumadinho. De acordo com o vereador, presidente da Casa, Adelmo Barbosa, foi a primeira vez que o legislativo de Pequi realizou uma reunião no formato audiência pública, onde todos os participantes tiveram seu momento de fala e para esclarecimentos de dúvidas sobre determinado tema.
A reunião contou com a presença de mais de 60 pessoas atingidas, com representantes das quatro comunidades atingidas da abrangência do município de Pequi: Campos, Soledade, Pindaíbas e Assentamento Roseli Nunes. O Nacab esteve presente para subsidiar a discussão com informação qualificada sobre o Acordo e também para contar um pouco sobre a atuação da Assessoria Técnica Independente (ATI) dentro do processo.
Após mais de dois anos da celebração do Acordo firmado entre as Instituições de Justiça, o Governo do Estado e a Vale, estão em início de execução os projetos de fortalecimento de políticas públicas, previstos no Anexo I.3. Na fase atual do anexo, a ATI Paraopeba Nacab tem buscado ampliar os canais de diálogo entre a população atingida e os poderes públicos locais, já que o recurso destinado à execução dos projetos da reparação estará sob a gestão das prefeituras.
Nesse sentido, estão sendo propostas, em diversos municípios da região assessorada pelo Nacab, câmaras temáticas, ligadas aos legislativos locais e com participação das pessoas atingidas, para monitorar a execução desses projetos. Na audiência pública realizada em Pequi, a proposta de criação de uma câmara permanente da reparação foi acolhida pelos vereadores e será debatida na próxima reunião ordinária da Câmara Municipal e também pelo executivo local.
Além de acompanhar os projetos, uma função importante da participação das pessoas atingidas no controle social do Anexo I.3 é garantir que o recurso da reparação não fique restrito às melhorias na cidade e chegue, de fato, às comunidades rurais impactadas pela contaminação do rio Paraopeba.
Fotos e texto: Karina Marçal
Edição: Raul Gondim