Paraopeba

Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e de Risco Ecológico são retomados 

Fundamentais para avaliar os efeitos da contaminação provocada pelo rejeito no Paraopeba, os “ERSHRE” serão feitos por uma nova empresa

Os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e de Risco Ecológico (ERSHRE), fundamentais para medir os impactos reais do desastre-crime da Vale em Brumadinho e orientar políticas de reparação e proteção à saúde e do meio ambiente, foram retomados nesta semana. Uma nova empresa assumiu os trabalhos, em substituição ao Grupo EPA, contratado em 2019 pela Vale. Agora, a responsável pelos ERSHRE é a Environmental Resources Management (ERM), uma multinacional de consultoria ambiental. . 

Os Estudos buscam avaliar os efeitos da contaminação provocada pelo rejeito nos ecossistemas da bacia do rio Paraopeba e os riscos diretos e indiretos à saúde das populações que vivem na região. Isso inclui análise de água, solo, sedimentos, fauna e flora, além de indicadores de doenças associadas à exposição de metais pesados e outras substâncias tóxicas. No entanto, os ERSHRE ficaram parados por muito tempo em sua fase 1, gerando atrasos e questionamentos, seja por parte das Instituições de Justiça e da AECOM, responsável pela auditoria socioambiental do Acordo, seja por parte das pessoas atingidas, diretamente afetadas pelos potenciais riscos. 

Agora, a Environmental Resources Management vai concluir as devolutivas da fase 1 e desenvolver as fases 2, 3 e 4 restantes. Segundo informações da SEPLAG-MG no site do governo de MG, os relatórios da fase 1, que está praticamente concluída, serão apresentados às comunidades atingidas em breve.  

Espero que a empresa seja eficiente, técnica e transparente com as pessoas que estão sofrendo os danos. A conclusão desses estudos é de suma importância para termos diagnósticos de várias doenças que estão surgindo ao longo dos dias, após o rompimento criminoso. As comunidades estão cada dia mais adoentadas. Exigimos a devolutiva do que já foi feito pelo Grupo EPA, afinal são vidas humanas expostas a várias alterações nos modos de vidas, principalmente alimentação.

Patrícia Passarela, de Taquaras (Esmeraldas)

Os resultados dos ERSHRE devem subsidiar estratégias relativas a abastecimento de água, restrições de uso do solo e recuperação de áreas atingidas. Além disso, servirão de base científica para definir medidas de reparação adicionais que ainda podem ser exigidas da mineradora. 

É possível acompanhar a evolução dos trabalhos no Painel de Monitoramento dos Estudos de Risco. 

Texto: Fabiano Azevedo
Fotos: Bárbara Ferreira e Marcio Martins