Paraopeba

Intercâmbio auxilia comunidades no monitoramento ambiental  

Pessoas da Região 3 se reuniram na comunidade de Ribeirão do Ouro, em Florestal (MG), na terceira edição do intercâmbio ‘Caminhos do Monitoramento Ambiental Coletivo”

No dia 16/08, as pessoas atingidas da Região 3 se reuniram na comunidade de Ribeirão do Ouro, em Florestal, em mais um intercâmbio ‘Caminhos do Monitoramento Ambiental Coletivo”. A ação reuniu cerca de 70 pessoas, entre agricultores familiares, ribeirinhos, indígenas e representantes de religiões de matriz africana.  

Este intercâmbio, que está em sua terceira edição, foi uma oportunidade de compartilhar os resultados da pesquisa de Monitoramento Ambiental Participativo, conduzida pela técnica do Nacab, Maria Oliveira, doutoranda do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O estudo está sendo realizado com as pessoas atingidas, em Pará de Minas (Muquém e Córrego do Barro), Florestal (Pau Grande, Ribeirão do Ouro e Comunidade dos Rosas) e Esmeraldas (Vista Alegre, Fazenda da Ponte e Riacho). 

O Monitoramento Participativo tem como ferramenta o registro oral, escrito e fotográfico, feito pelas pessoas atingidas, de percepções sobre mudanças observadas no solo, na terra e nas plantas, em suas propriedades. Isso possibilita a elaboração de uma memória territorial, a partir dos relatos, fortalecendo a análise pelas percepções de quem vive no local, contribuindo para a autonomia das pessoas envolvidas. 

As descrições das famílias sugerem que áreas de baixada, mais férteis, tiveram perda de nutrientes. Além disso, foi confirmada a presença de minerais que prejudicam a infiltração de água e ar para raízes e microorganismos, indicando a mudança na estrutura do solo após as enchentes. Enquanto isso, o experimento com espécies de milhos crioulos confirmou o maior crescimento em solos não afetados e os híbridos estacionaram sua produtividade inclusive em solos afetados. 

“Quanto maior o saber, maior a responsabilidade. Estou saindo daqui muito mais responsável pela terra e isso em agradecimento às pessoas que vieram, porque cada um que veio aqui trouxe uma experiência. Eu mesma vim falar da minha horta e através do estudo eu compreendi o que estava acontecendo com o meu pedacinho”

Solange Barbosa, moradora da Comunidade de Bambus (Esmeraldas)

“Acompanhar cotidianamente os territórios me fez ter uma relação mais próxima com as famílias atingidas. O território ensina e a ciência caminha junto, ajudando a natureza a se recuperar e as pessoas voltarem a usar suas melhores áreas, além de acompanhar as incidências desses crimes na vida das pessoas. É a pesquisa-ação acontecendo na prática”

Maria Oliveira, analista de campo da ATI Paraopeba Nacab e pesquisadora do Departamento de Solos da UFV

A atividade contou com a facilitação da professora Irene Cardoso, sócia-fundadora do Nacab, e do professor Raphael Cardoso, ambos do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).    

“A dinâmica da vida do solo é muito melhor percebida através da observação diária. Nada melhor que o olhar do agricultor, de quem lida com a terra, para analisar essa dinâmica. Defendemos aqui que a percepção do cotidiano da vida é fundamental”

Irene Cardoso, professora da UFV e sócia-fundadora do Nacab

A ATI Paraopeba Nacab pretende ampliar o uso da caderneta de monitoramento ambiental participativo, para todas as pessoas atingidas e famílias interessadas registrarem suas percepções sobre como o meio ambiente tem respondido aos danos do rompimento ao longo do tempo, contribuindo para o processo de reparação. 

“A proposta é promover a troca entre comunidades da região, a partir da percepção das pessoas atingidas, da sistematização dos dados e dos intercâmbios agroecológicos, com o objetivo de construir estratégias para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019”

Luiza Monteiro, coordenadora do escritório de campo do Nacab, em Pará de Minas

Intercâmbio Agroecológico – Caderneta de Monitoramento Ambiental Participativo

Texto e fotos:  Iara Milreu e PH Reinaux
Edição: Fabiano Azevedo e Marcos Oliveira
Publicação: Marcos Oliveira