O que Gondó quer para o futuro?
Na última quinta-feira (11), moradores de Gondó se reuniram com a ATI 39 Nacab para continuar o diálogo sobre possíveis novos impactos descritos no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) referente a intervenções da mineradora na face Oeste da Serra do Sapo; a exclusão da Fazenda Amolar da delimitação territorial oficial da comunidade e a organização de uma comissão de atingidos de Gondó.
Antes de formar a comissão, foi apresentado aos moradores a importância da organização da comunidade e a escolha de representantes de cada localidade, considerando aqueles que estão dentro e fora da delimitação do Plano de Reassentamento. Dessa forma, a eleição de uma comissão representativa faz com que a comunidade tenha porta-vozes legítimos e responsáveis por dialogar com a Anglo American, governos, instituições e outros atores importantes quando o assunto é defesa de direitos e conquista de melhorias.

Criação de uma comissão representativa
Para ajudar na organização, a ATI apresentou uma proposta de comissão com representantes das localidades de Gondó. Foi feita a sugestão do grupo não ser auto deliberativo, mas que tenha a participação do coletivo nas decisões e legitimidade para organizar as demandas e articular estratégias.
“Vamos nos preparar para cobrar os direitos e tocar a vida pra frente”, disse o morador Jesoares Damazo.
“Se está na comissão, é para pensar no bem comum da comunidade”, avaliou o morador Adail Ribeiro.
Fazenda Amolar fora do projeto de lei
Outro tema abordado foi o resultado da votação do PL 63/2024, ocorrido no dia 28 de agosto na Câmara Municipal de Conceição do Mato Dentro. A ATI informou que todos os vereadores de Conceição do Mato Dentro votaram a favor da delimitação territorial da comunidade, porém a Fazenda Amolar ficou de fora. A delimitação foi sancionada pelo prefeito nesta semana, tornando-se a Lei 2.606/2025. Geovane Assis, coordenador territorial, contou que dialogou com Sidney das Três Barras, presidente da Câmara, sobre a exclusão da localidade e foi informado que ainda há possibilidade de inclusão, por meio de uma lei complementar.
“Votamos para garantir o direito da maioria dos atingidos, mas ainda dá tempo de incluir a Fazenda Amolar. O que será que o município vai fazer para reverter isso?” questionou a moradora Neuza Saldanha
Estudo de impacto ambiental
A assessoria técnica também apresentou o estudo dos impactos, incluído no novo pedido de Licenciamento Ambiental da face oeste da serra do Sapo, o EIA, e as possíveis influências na comunidade que estão descritas nesse documento. A comunidade discutiu a importância de se apropriar das informações do estudo ambiental para questionar a mineradora, quando for marcada uma audiência pública. Além dos problemas já vividos — como poeira, barulho e escassez de água —, os atingidos destacaram a perda da paisagem e da cultura local como um dos maiores impactos. “A serra está cada vez mais minerada, sem a floresta nativa. E como será compensado isso?”, questionou a comunidade
Plano de reassentamento
Segundo o estudo, o reassentamento aparece como uma das medidas de mitigação, o que confirma que as famílias poderão ser realocadas. Porém, com o cronograma previsto no extrato do Plano de Reassentamento em curso, os elegíveis ao reassentamento questionaram a proposta da mineradora. “De que adianta tirar a gente? O dinheiro não é suficiente para negociar [uma nova propriedade]”, afirmou Erenilde Simões.
“Se a gente ficar, precisamos acompanhar de perto a Anglo e garantir proteção às famílias que permanecerem. Ainda mais com o valor baixo que estão oferecendo”, completou Valter Peixoto.
A ATI 39 Nacab está acompanhando as demandas de Gondó e auxiliando na organização de uma comissão, como estratégia de fortalecimento da comunidade. A equipe também segue acompanhando as negociações para reassentamento, os cadastros e organizando eixos temáticos sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), para apresentar aos moradores, a partir das temáticas elencadas por eles como prioritárias, como reassentamento, água, poeira e barulho. Para isso, a próxima reunião da ATI com a comunidade já está marcada: será no dia 25 de setembro, próxima quinta-feira.
Reportagem e fotos: Silmara Filgueiras
Locução: Silmara Filgueiras
Edição: Brígida Alvim
Comunicação ATI 39 Nacab