No último sábado, 13/12, foi realizado o Ato Político e Cultural Sem Anistia Para os Crimes da Mineração, no assentamento Oziel Alves, em Governador Valadares. O ato contou com a participação de Luiza Monteiro, diretora financeira e coordenadora do escritório de campo do Nacab, em Pará de Minas.
A iniciativa integrou o 34º Encontro Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Minas Gerais, e promoveu a assinatura do Projeto de Recuperação Econômica Agroecológica da Bacia do Rio Doce, para aporte de recursos na região. Denunciando os crimes cometidos pela mineração em Minas Gerais, o encontro reuniu parlamentares, representantes do Governo Federal e entidades parceiras do MST.
Em uma mesa composta por mulheres, o Projeto de Recuperação Econômica Agroecológica da Bacia do Rio Doce foi assinado por Maíra Santiago, da Cooperativa de Trabalho da Agricultura Camponesa de Minas Gerais (Coopertrac); Luiza Monteiro, do Nacab; Patrícia Bourguignon, da Fundação Espírito-santense de Tecnologia (Fest) e Adriana Aranha, da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A parceria com o MST de Minas Gerais e do Espírito Santo é um marco significativo para o Nacab, pois amplia os horizontes de sua atuação no momento em que a instituição se aproxima dos 30 anos de trabalho.
“A atuação na Bacia do Rio Doce, junto aos assentamentos da reforma agrária no Espírito Santo, permite articular a experiência acumulada pelo Nacab com sua missão de promoção dos direitos humanos, da justiça socioambiental e da agroecologia, contribuindo para a transformação desses territórios para além da reparação de direitos”
Luiza Monteiro, diretora financeira do Nacab
A expectativa é que o projeto fortaleça o Programa de Agroecologia da Bacia do Rio Doce, promovido pelo MST desde 2019, ampliando a produção de alimentos saudáveis, a partir da Reforma Agrária, do acesso a bioinsumos agrícolas, da produção de mudas e sementes, da ampliação dos quintais produtivos, da logística e da assistência técnica.
Transição agroecológica
Atendendo cerca de 200 famílias, o MST oferece desde 2016 assistência técnica às áreas atingidas pelo rompimento da barragem, em Mariana. O movimento desenvolveu ações de recuperação ambiental em mais de 2.000 hectares, a partir de projetos de barraginha, saneamento básico e restauração florestal, com a projeção de chegar a 5.300 hectares nos territórios de reforma agrária. São ainda, mais de 500 mil mudas plantadas, somadas a ações direcionadas à saúde, educação, cultura, produção, juventude e mulheres.
Crimes da Mineração
Ocorrido em novembro de 2015, o rompimento de Mariana resultou na morte de 19 pessoas e deixou um rastro de cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro, que chegaram até o mar no Espírito Santo, atingindo milhares de pessoas e causando danos irreversíveis à biodiversidade da bacia do Rio Doce.
Pouco mais de três anos depois, em janeiro de 2019, o rompimento da barragem Córrego do Feijão, da Vale, causou 272 mortes, a contaminação do Rio Paraopeba e do meio ambiente em seu entorno, sendo considerado um dos maiores desastres socioambientais do Brasil.
Texto e publicação: Marcos Oliveira
Fotos: Raquel Matos (MST)
Edição: Fabiano Azevedo