A luta das pessoas atingidas em São Sebastião das Águas Claras (Macacos) conquistou um avanço decisivo. Em janeiro de 2026, o Ministério Público homologou o projeto da Assessoria Técnica Independente, permitindo que o Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) retome oficialmente seus trabalhos junto às famílias atingidas pelo risco das barragens B3 e B4 da Mina Mar Azul, da Vale.
Embora o Nacab tenha sido escolhido pela própria comunidade ainda em abril de 2024, o trabalho permaneceu impedido de começar por quase dois anos, à espera da homologação judicial. Sem esse ato formal, não havia respaldo legal para a atuação da assessoria.
Portanto, a homologação em janeiro de 2026 não inaugura a luta — ela destrava um direito que já havia sido conquistado pela organização popular.
Escolha popular foi clara: comunidade quer assessoria ao lado dos atingidos
A escolha do Nacab ocorreu em 29/04/2024, durante reunião virtual com associações e comissões comunitárias de Macacos. Com 8 votos contra 4, o Nacab foi eleito pela maioria das organizações habilitadas, reafirmando a confiança da comunidade em uma entidade comprometida com as pessoas atingidas e independente da empresa responsável pelos danos. O processo de escolha foi resultado de um acordo judicial firmado após a elevação do nível de emergência das barragens, que provocou remoções forçadas, medo constante e impactos profundos no território.
Assessoria Técnica Independente é direito conquistado com luta
A Assessoria Técnica Independente não é favor da empresa nem concessão do Estado. É uma conquista histórica das populações atingidas por barragens, resultado de anos de mobilização, denúncias e resistência.
O Nacab tem trajetória reconhecida na defesa dos direitos dos atingidos, atuando para fortalecer a organização comunitária, garantir acesso à informação, traduzir documentos
técnicos e apoiar a comunidade na luta por reparação integral — sempre com independência em relação à Vale.
Com a homologação realizada em janeiro de 2026, o Nacab retoma os trabalhos de forma oficial, com segurança jurídica e autonomia, atuando novamente lado a lado com quem vive os impactos da mineração e reforçando um princípio construído na luta das pessoas atingidas: nenhuma decisão sobre nós deve ser tomada sem nós.
A homologação do projeto pelo Ministério Público representa um passo fundamental, mas também escancara a morosidade que marca os processos de reparação no Brasil. Para as comunidades atingidas, cada atraso custa tempo, saúde e dignidade.
Seguimos organizados, atentos e em luta por justiça, reparação integral e respeito aos territórios.