Teia Agroecológica de Mulheres

 Segundo ciclo de oficinas do Teia Agroecológica de Mulheres é marcado por avanços na organização dos grupos 

Os encontros, voltados à assessoria de mercado, aconteceram com os quatro grupos de mulheres atendidos pelo projeto

Economia do cuidado, construção de mercado, etapas de comercialização, levantamento de produtos e precificação foram alguns dos temas trabalhados na segunda rodada de oficinas, que aconteceram entre os dias 12 e 15 de maio. As formações fazem parte do plano de trabalho do projeto Teia Agroecológica de Mulheres, que visa o fortalecimento da autonomia e autogestão dos grupos de mulheres na Região 3.  

A primeira formação, em março, abordou o uso das Cadernetas Agroecológicas, uma ferramenta para a mensuração da economia doméstica desempenhada pelas mulheres. No encontro, elas desenharam mapas da sociobiodiversidade dos seus quintais produtivos e identificaram onde elas atuam nesses espaços. 

Neste segundo ciclo, o trabalho foi realizado por Sol, bióloga e assessora de projetos coletivos, e Fernanda Dias, educadora popular e fundadora da Pé de Quê Orgânicos e Agroecológicos, com o apoio da equipe do Teia Agroecológica de Mulheres. Os encontros aconteceram em Soledade (Pequi), Muquém (Pará de Minas), Cachoeirinha (São José da Varginha) e Três Barras (Fortuna de Minas).  

Fernanda destaca que a oficina representou o potencial dos grupos de mulheres dentro das comunidades. Para ela, a frequência dos encontros, como tem sido estimulado pelo projeto, é fundamental: “Nesse decorrer elas vão se conhecendo melhor e assim elas vão reconhecendo habilidades, potências e processos de cuidados que às vezes ficam subliminares”, diz.  

Sol e Fernanda na condução da oficina com o grupo de mulheres de Cachoeirinha / Foto: Pedro Reinaux

Além de trabalharem os conceitos pertinentes à lida das mulheres com a produção e a venda dos seus produtos, as oficineiras ajudaram com o levantamento da conjuntura das famílias e trouxeram a reflexão sobre a disponibilidade delas dentro da comunidade. Foi registrado pela equipe do Teia que a realidade de muitas é o trabalho de cuidado dentro de casa que, muitas vezes, dificultam a participação em espaços de construção coletiva. Apesar disso, em Cachoeirinha, as mulheres veem o grupo como um lugar de esperança, incentivo e fortalecimento.  

Para Maria Maia, do grupo de mulheres de Cachoeirinha, o projeto tem catalisado os desejos da comunidade. “A gente está tentando realizar o nosso sonho, que é trazer novidades, coisas boas aqui para dentro de Cachoeirinha. Aí a gente fica muito feliz, né? A união faz a força”, diz.  

Lívia Mara, técnica de campo do projeto, conta que em Soledade, o dia de oficina foi muito frutífero para o grupo. “As mulheres trabalharam muito, principalmente essa noção da organização do grupo e a identificação das lideranças dentro das tarefas de cada parte do processo de comercialização. Mulheres muito engajadas, muito atentas, foi um dia que rendeu muito”, comemora.  

Em Muquém, o grupo Flores do Campo avançou na distribuição de tarefas, no estabelecimento de uma agenda para buscar novos parceiros comerciais e no passo a passo da precificação, retirando dúvidas e esclarecendo detalhes do processo. Ao final, o grupo fez uma apresentação teatral demonstrando a produção dos sabonetes. 

Grupo Flores do Campo (Muquém) com os sabonetes artesanais / Foto: PH Reinaux  

Em Três Barras, o grupo trabalhou o fortalecimento da identidade das mulheres e a mobilização para fortalecer o coletivo. Depois da prosa, a equipe técnica e o grupo foram até o quintal da Lidiane Gonçalves, onde ela produz uma diversidade de alimentos para o consumo da família. De modo geral, todos os grupos avançaram com novos acordos de organização e mobilização.  

Texto: Nathália Iwasawa 
Edição: Fabiano Azevedo 
Fotos: PH Reinaux