Em reunião marcada por decisões cruciais para o processo de reparação, a comunidade de Casquilho de Cima participou da Assembleia Geral, no dia 28/05/26, para decidir sobre a Compensação Adicional de R$ 10 milhões e definir novos integrantes da Comissão de Pessoas Atingidas. O encontro contou com a participação das pessoas atingidas, representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a equipe do Nacab.
A reunião começou com a apresentação do balanço da atuação do Nacab com a comunidade. A equipe detalhou todas as atividades desenvolvidas, os relatórios entregues, os “Café com Prosa” e as articulações com o Poder Público de Conceição do Pará (MG). A ATI finaliza suas atividades no território no dia 16/06/2026.
Embora a comunidade tenha questionado sobre a continuidade da Assessoria Técnica Independente, a coordenação do Nacab esclareceu que, contratualmente, a permanência da assessoria não é possível nos moldes atuais. O promotor de Justiça, Gabriel Gonçalves, ponderou que qualquer futura continuidade da ATI dependeria da finalização da análise do laudo ambiental pela auditoria técnica e elaboração de novo plano de trabalho.
A organização comunitária foi fortalecida com a eleição de novas e novos integrantes da Comissão. Após a apresentação do histórico do grupo, Marcos Pereira, Lúcia Pracedina, Sônia Aparecida, Sheyla Morato e Wanderley da Costa foram eleitos para a nova composição da Comissão substituindo Arcanjo Gabriel, Paula Ferreira e Hemerson Goulart.
Wandereley da Costa, um dos novos integrantes do grupo, está empenhado na continuidade da luta pelos direitos de Casquilho de Cima,
“acho que agora a gente vai dar uma continuidade, eu vou participar, eu vou estar mais ativo, e vou cobrar, entendeu? Eu vou trazer o pessoal porque eu acho que a gente lutando a gente vai conseguir grandes coisas aí.”
Wanderlei da Costa,atingido e novo integrante da Comissão.
Pagamento dos R$ 10 milhões
Na Assembleia, o MPMG colocou em votação a consolidação da lista final de pessoas atingidas com o total de 155 núcleos familiares e, em unanimidade, a comunidade concordou com a proposta. Também ficou definido que o valor total da compensação (R$ 10 milhões) será dividido entre os 155 núcleos, mas que o pagamento será realizado de forma imediata para os 136 casos considerados “incontroversos”, ou seja, reconhecidos tanto pela mineradora, quanto pela ATI e MPMG.
Os dezonove casos que ainda apresentam controvérsias continuarão sob análise da Instituição de Justiça. Caso algum desses não seja reconhecido, o saldo remanescente da compensação será redistribuído entre os núcleos já formalmente aceitos. A nova comissão ficou encarregada de assinar, junto com representantes do Ministério Público, as listas de pessoas atingidas que receberão a compensação.
A Assembleia marcou o último encontro do Nacab com toda a comunidade. Com oito meses de atuação, a ATI realizou 76 atendimentos individuais, 3 Assembleias Gerais e 11 encontros com pequenos grupos de pessoas atingidas. Agora, a equipe segue na finalização dos dois últimos relatórios dos seis previstos no Termo de Acordo homologado pelo MPMG na Ação Civil Pública contra a Jaguar.
Texto: Cecília Santos | Edição: Fabiano Azevedo e Viete Passos