“Somos todos quilombolas”! Essa afirmação ecoou em coro durante as assembleias de autodefinição quilombola realizadas em Taporôco, nos dias 28/05/26 e 18/06/26. Ao final dos debates, a comunidade reconheceu, por unanimidade dos presentes, sua identidade quilombola.
As assembleias foram apoiadas pelo projeto Quilombo Vivo II, do Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes), com ajuda da ATI 39 Nacab. Antes, a comunidade participou de encontros formativos sobre o significado de ser quilombola, os direitos dessas comunidades e a valorização da própria história.
Durante as atividades, os moradores compartilharam memórias sobre a origem de Taporôco e saberes transmitidos entre gerações, como a agricultura familiar, a produção de farinha e o garimpo artesanais, os benzimentos, os partos feitos por parteiras, o uso de plantas medicinais e a culinária tradicional.

Outra ação que contribuiu para fortalecimento dessa identidade foi o “Estudo Técnico de Desintegração Social de Taporôco – Impactos e Danos do Projeto Minas-Rio”, desenvolvido pela ATI 39 Nacab em 2024. Por meio de metodologias participativas como rodas de conversa e da construção de um diagrama familiar, os moradores relembraram a história da comunidade, identificaram laços de parentesco e refletiram sobre seus modos de vida, formas de organização social e relações de compadrio. Nesse processo, a comunidade também identificou indícios de tradicionalidades quilombolas presentes no território.

Com a decisão feita em assembleia, Taporôco reafirma sua identidade quilombola e aguarda a certificação da Fundação Cultural Palmares, etapa que contribui para ampliar o acesso a políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas.


Reportagem: Janaíne Ferraz
Edição: Brígida Alvim
Publicação: Patrícia Castanheira
Comunicação ATI 39 Nacab