ATI 39 | MÉDIO ESPINHAÇO

Sirene de emergência da barragem da Anglo American toca mais uma vez, deixando famílias em pânico

Já é a quarta vez que acionamentos indevidos das sirenes da Anglo American ocorrem, sendo o último há apenas seis meses. As comunidades atingidas cobram medidas efetivas dos órgãos e instituições competentes, para que haja a reparação dos danos e que a situação não ocorra novamente

Sirene do sistema de emergência da Anglo American tocou, por volta de 19:40 desta quinta-feira, 13/08, causando pânico e desespero nas famílias da Zona de Autossalvamento (ZAS) da barragem de rejeitos da mineradora, em regiões rurais de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas. Diversas famílias tiveram de deixar suas casas essa noite e se deslocarem pelas rotas de fuga em direção aos pontos de encontro sinalizados nas comunidades, para se salvarem, seguindo as orientações dadas nos simulados de emergência.

Videos e relatos registram pânico, medo e indignação. Pessoas idosas, deficientes, crianças e até recém-nascidos foram levados às pressas aos pontos de encontro, sendo um deles o escritório da mineradora na comunidade de São José do Jassém. 

No momento do acionamento, parte da equipe da ATI 39 Nacab estava em reunião virtual com o Comitê de representantes da ZAS e orientou aos participantes e nos grupos virtuais da comunidade  para as famílias deixarem suas casas e se deslocarem aos pontos de encontro, até que tivessem informações sobre a segurança da barragem. 

Acionamos a Defesa Civil, que deslocou equipe para a área. Após a Anglo American informar que a barragem estava segura, deslocamos uma equipe da ATI 39 Nacab para prestar apoio e encontrar as famílias atingidas. A  Anglo American chegou na comunidade mais de 2 horas depois do acionamento da sirene, quando a maior parte das pessoas já haviam voltado para suas casas. A Polícia Militar também foi para o local. 

As comunidades cobram esclarecimentos do Ministério Público de Minas Gerais, comarcas do Serro e de Conceição do Mato Dentro, em relação ao TAC firmado em 2024 entre o órgão e a mineradora, que prevê valoração de danos e indenização pela Anglo American em caso de novos disparos de sirenes.  Os acionamentos ocorridos em março de 2025 e em fevereiro deste ano ainda não foram indenizados.

Esse foi o quarto acionamento da sirene após o primeiro alteamento da barragem de rejeitos (Step 3), sendo três deles após o fechamento do acordo coletivo de um plano de reassentamento para as famílias que residem na Zona de Autossalvamento (ZAS). O acordo ocorreu após a Anglo ser condenada a ofertar um plano de reassentamento nos autos da Ação Civil Pública que discutia o direito das famílias de serem reassentadas pela mineradora e não mais conviverem com o risco de um rompimento da barragem.

A ATI 39 Nacab estará junto às comunidades Água Quente, Passa Sete, São José do Jassém, Beco e localidades da Zona de Autossalvamento (ZAS), dando apoio e assessoramento técnico necessários à busca por reparação. “Chegamos antes da mineradora, mas os responsáveis pelo PAEBM são a Anglo e a Defesa Civil. Nós não temos estrutura nem autorização para vir para as comunidades, pois não somos parte do PAEBM. Viemos porque não vamos deixar as pessoas passarem por isso sozinhas. Estamos aqui para orientar e buscar a reparação dos danos e cobrar medidas para que isso não aconteça mais”, disse Jesus Menjivar Nieto, gerente jurídico da ATI 39 Nacab.

Texto: Brígida Alvim 
Locução: Georgyanne Sena
Comunicação ATI 39 Nacab