ATI 39 | MÉDIO ESPINHAÇO

Ministério Público investiga causas do acionamento de sirenes da Anglo American 

Novo inquérito foi aberto pelo MPMG, para apurar sobre o quarto acionamento indevido de sirenes do sistema de alerta do complexo Minas-Rio, ocorrido na última quinta (13/08), em comunidades da Zona de Autossalvamento (ZAS) da barragem de rejeitos, em Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que, por meio das Promotorias de Justiça de Conceição do Mato Dentro e do Serro, instaurou Inquérito Civil para apurar as circunstâncias que levaram ao acionamento indevido de sirenes de alerta do Sistema Minas-Rio, sob responsabilidade da mineradora Anglo American. A apuração conta com a atuação do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma) do MPMG. 

Segundo nota publicada no site do órgão, os promotores de justiça Frederico Tavares de Lanna Machado e Júlio Maciel Cordeiro afirmam que ainda não é possível, neste momento, correlacionar este evento com os acionamentos anteriores, já investigados pelo MPMG. Eles se referem a outros três acionamentos indevidos ocorridos no sistema de alerta da Anglo American, em janeiro de 2020; março de 2025 e fevereiro de 2026. 

Os promotores informaram que: “Todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para que as populações sejam reparadas, os causadores dos fatos sejam responsabilizados e os mecanismos de alerta se tornem adequados e confiáveis para a sua finalidade, sem a geração de pânico injustificado à população”.  

Saiba mais sobre o ocorrido 

Moradores de diferentes comunidades e localidades da ZAS contam que ouviram ruídos de sirenes próximas às suas casas, no início da noite de quinta-feira, 13/08, por volta das 19h40. Alarmadas, as famílias seguiram pelas rotas de fuga e foram aos pontos de encontro para se salvarem, conforme as recomendações que receberam nos simulados de emergência. Elas permaneceram nos pontos de encontro cerca de duas horas, até serem comunicadas, pela Defesa Civil e a mineradora, de que não havia riscos de rompimento da barragem. 

“Era 7:40 da noite, estava na porta da minha cozinha e a gente escutou um ruído, assim uma zoeira baixa, depois foi aumentando e a gente percebeu que realmente era o barulho da sirene. Então eu peguei o telefone, custei a achar os contatos de algumas pessoas, nervosismo demais também. Tentei falar com Maria Inês, que mora abaixo de mim aqui, não consegui. Ela me ligou de volta e me perguntou: Dora, cê escutou o ruído da sirene? Eu falei: sim, eu escutei e ocês vão subir? Porque nós já estamos saindo daqui. Aí fui avisando pros vizinhos, a Maria Ivone, que já foi subindo com a turma dela também. Aí foi até dar 10 horas da noite, as crianças queixando frio, que eles não tinham jantado e a gente não tinha dado neles banho também. A gente ficou lá até 10 horas e acabou descendo, sem aparecer ninguém”, relata Maria das Dores Alves Gomes (Dora), moradora de Córrego do Saraiva, em São José do Jassém. 

“Eu estava em reunião (virtual) com o Nacab, da minha casa e ouvi o barulho. Aí alguém da minha família disse que era a sirene que tinha tocado. Aí nesse momento tivemos que parar a reunião e correr para o ponto de encontro. Eu fui para o ponto de encontro lá no alto do chamado Pompéu, bem distante da minha residência. Fui de carro, porque sou deficiente, e se a barragem realmente tivesse rompido não daria tempo de chegar lá, por causa da minha deficiência. Foi assustador, aterrorizador e as pessoas entraram em pânico e desespero. É uma tristeza isso acontecer na comunidade que era tão tranquila, tão serena. Então, foi sufoco, desespero, um tormento para nós da comunidade. E a gente não merece passar por isso”, lembra José Maria da Silva, morador de São José do Jassém. 

O Nacab, por meio de sua Assessoria Técnica Independente (ATI) atuante no território, está prestando apoio às famílias atingidas, desde a noite de quinta-feira. Para atender solicitação do Ministério Público de Minas Gerais, a equipe está reunindo fotos, vídeos, relatos de moradores e produzindo um relatório técnico para contribuir para a apuração do fato.  

Investigação pela empresa 

Na sexta-feira (14), a mineradora Anglo American comunicou que iniciaria uma inspeção técnica no território, para a apuração do fato, e pediu acompanhamento da ATI 39 Nacab. Desde então, a mineradora está percorrendo as comunidades da ZAS, para verificar a integridade das sirenes, avaliando se houve algum tipo de dano na estrutura delas, ocasionado por vandalismo, animais e/ou insetos e “baixar” algumas informações do sistema das sirenes. Esse trabalho está sendo acompanhado pela Equipe Técnica do Nacab. 

Reportagem: Brígida Alvim
Locução: Georgyanne Sena
Publicação: Rodrigo Teixeira
Comunicação ATI 39 Nacab