Paraopeba

Fonte de sustento e renda: comunidades de Esmeraldas aprendem a criar peixes em tanques 

Curso de piscicultura faz parte do Anexo 1.3 do Acordo de Reparação e objetiva ensinar aos pescadores artesanais de Esmeraldas a criação de peixes em tanques para consumo e geração de renda

No sábado (15/08), teve início o curso de piscicultura em Esmeraldas. A formação faz parte do Anexo 1.3 para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), presente no Acordo de Reparação pelo rompimento da barragem da Vale, em 2019. O Anexo 1.3 do Acordo aborda sobre Projetos de fortalecimento dos serviços públicos para a Bacia do Paraopeba.  

As atividades acontecerão quinzenalmente, aos sábados, para duas turmas: pela manhã, com pescadores artesanais das comunidades de Vista Alegre e Fazenda da Ponte, e de tarde, com os pescadores artesanais das comunidades de Padre João e Bambus.

Atividade formativa contará com aulas teóricas e práticas sobre criação de peixe em tanques

O curso é baseado em atividades teóricas e práticas, com duração de dez meses, devido ao ciclo de criação do peixe. Deste modo, os alunos terão a oportunidade de acompanhar as diferentes etapas de formação do animal. Durante a formação, serão apresentados diferentes sistemas de criação de peixe, incluindo o método intensivo RAS (sistema de recirculação de água), que permite a produção de uma grande quantidade de peixe em áreas pequenas. O sistema gasta pouca água, mas exige um manejo constante.  

Iniciativa oferece caminhos para o manejo de peixes nas comunidades 

A formação conta com a participação e o interesse de públicos diversos, abrangendo diferentes faixas etárias, de jovens a idosos. A iniciativa representa uma oportunidade para fortalecer a piscicultura familiar na região, permitindo que os participantes apliquem os conhecimentos adquiridos em suas propriedades. Hélia Baeça, de Vista Alegre (Esmeraldas), relata que existem dois pequenos tanques em sua propriedade, um de alvenaria e outro escavado. Ela acredita que o curso de piscicultura vem para agregar conhecimento no método de criação dos peixes: 

“O curso está sendo uma grande oportunidade de escolhermos a forma que vamos usar para criarmos peixes e para suprir um pouco o desejo da cultura da pesca artesanal. Espero neste curso de psicultura poder aplicar os conhecimentos adquiridos para ampliar o cultivo, seja para autossustento ou para comercializar futuramente.”

Hélia Baeça, moradora de Vista Alegre

Valter Baeça, liderança dos pescadores artesanais de Esmeraldas, destaca a participação heterogênea no curso, e afirma que a presença de jovens nos cursos é importante para a continuidade do processo de reparação e da tradição pesqueira na região. Porém, ele lembra que o sistema ensinado é bem diferente da pesca no rio, já que permite criar apenas uma espécie de peixe:

“O conteúdo foi limitado, pois será criado apenas tilápia. Em nosso rio [o Paraopeba], éramos acostumados com diversidades de peixes”

Valter Baeça, Pescador Artesanal

Uma alternativa para o desenvolvimento econômico 

O curso de piscicultura objetiva promover o desenvolvimento econômico de Povos e Comunidades Tradicionais, em especial do segmento dos Pescadores Artesanais. 

Ao final da capacitação, as alunas e alunos terão um projeto de piscicultura pronto, caso queiram acessar crédito para empreender na criação de peixes. Além disso, a iniciativa objetiva trazer benefícios diretos para as comunidades atingidas, como a retomada da fonte de renda e a segurança alimentar.  

A pesca e o consumo de peixes do rio Paraopeba seguem proibidos devido ao desastre-crime da Vale. 

Foto e texto: Ester Louback/ NACAB
Edição: Fabiano Azevedo
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