No sábado (12/09), aconteceu o 10o Balaio de Saberes, no campus de Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O evento teve como tema “Lixo Zero: Em defesa da vida, das mulheres e do território”, e contou com a parceria do Ministério das Mulheres e da Associação de Triadores de Materiais Recicláveis de Florestal, Astriflores. Representantes de comunidades atingidas pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, participaram, junto com o Nacab, desta edição do Balaio.
O encontro adotou o conceito de ‘lixo zero’, com a implementação de ações práticas voltadas à redução na geração de resíduos.
Balaio de saberes: onde a ciência e o território se encontram
Uma das atividades do evento foi a balaiada, trazendo temáticas diferentes e tendo como transversalidade o protagonismo das mulheres em defesa do meio ambiente. O Nacab participou realizando a balaiada “A terra que pisamos: mulheres na ciência e saberes na defesa dos territórios atingidos”. A roda de conversa foi organizada por Maria Oliveira, colaboradora do Nacab, que abordou os estudos realizados em seu doutorado, e lembrou que a mulher tem um papel fundamental na família que vive nas zonas rurais atingidas: em sua maioria, são elas que pensam o alimento, cuidam dos filhos e, quando falta água limpa, são elas que buscam água para preparar a comida.
“Quando a natureza sofre danos e perde o direito de manter o solo vivo e produtivo, de ter água limpa e sem contaminação, e de se sustentar por gerações, isso afeta diretamente a vida das mulheres no território. Elas são as primeiras a sofrer”
Maria Oliveira, da ATI Paraopeba Nacab
Maria Silma, da comunidade de Pindaíbas, em Pequi, participou do espaço conduzido pelo Nacab. Ela diz que registra todos os seus gastos, já que o dinheiro que ganha é pouco e só consegue comprar comida e remédio.
“Eu gosto de anotar tudo, o que gasto, o que eu compro… Anoto se compro um peixe, uma verdura… Me perguntaram por que anoto tudo, respondi que antes tinha tudo na horta, e hoje não posso comer nada do que está no meu quintal”
Maria Silma, da comunidade de Pindaíbas, em Pequi (MG)
O rompimento e a geração de lixo
Edivany Dias Neres, moradora do assentamento Ismene Mendes, em Pará de Minas, conta que foi a primeira vez que participou do Balaio e gostou de toda a programação. O que mais chamou sua atenção foi a pauta da reciclagem, pois em sua casa ela separa o lixo e aproveita cascas, verduras para fazer compostagem e bioinsumo. Para ela, esse é um tema importante para ser discutido, já que na roça não tem coleta de lixo e o rompimento aumentou a compra de itens não recicláveis.
“Com o rompimento, a gente deixou de produzir muita coisa e teve que comprar mais coisas, então gera mais lixo, mais sacola, embalagem… e a gente que mora na roça tem uma dificuldade porque não passa coleta”
Edivany Dias Neres, do assentamento Ismene Mendes, em Pará de Minas (MG)
Texto e fotos: Ester Louback
Edição: Fabiano Azevedo
Publicação e áudio: Marcos Oliveira