Entregas de equipamentos e oficinas realizadas em setembro apoiaram famílias agricultoras, associações e cooperativas na adoção de práticas agroecológicas e na estruturação da produção local.
O projeto “Animais para Agroecologia: construindo sustentabilidade e autonomia com famílias em áreas de conflitos socioambientais” realizou, ao longo do mês de setembro de 2026, uma série de ações voltadas ao fortalecimento da produção familiar em comunidades de diferentes municípios de Minas Gerais. Entre as atividades estiveram a entrega de kits de manejo e equipamentos para compostagem e a implantação de chocadeiras para criação de galinhas caipiras, acompanhadas de orientações para o uso coletivo dos equipamentos. As ações foram realizadas com famílias agricultoras, comunidades quilombolas, grupos de mulheres, associações e cooperativas participantes do projeto, aproximando os conhecimentos construídos durante o acompanhamento técnico das necessidades concretas de cada território.
O projeto é desenvolvido pelo NACAB, em parceria com a Organização Cooperativa de Agroecologia (OCA), por meio do Programa Da Terra à Mesa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Equipamentos para fortalecer o trabalho e a autonomia das famílias
A agenda teve início no dia 22 de setembro, em Paraopeba (MG), com a entrega dos primeiros kits no Centro Comunitário da comunidade quilombola de Pontinha. Os kits são compostos por materiais que viabilizam a produção de compostagem, como carrinhos de mão, enxada, pá, rastelo, mangueira e regado. Os equipamentos facilitam atividades cotidianas das famílias, como manejo, transporte de materiais e aproveitamento de resíduos orgânicos.
A compostagem ocupa lugar importante nesse processo. A partir do aproveitamento de resíduos disponíveis nas próprias propriedades, as famílias podem produzir adubo e contribuir para a fertilidade do solo, ao mesmo tempo em que reduzem a dependência de insumos externos e ampliam sua autonomia produtiva.

A atividade marcou o início da implantação prática de ações previstas pelo projeto, aproximando os conhecimentos trabalhados no acompanhamento técnico da realidade e das necessidades apresentadas pelas famílias. A iniciativa também reforça o compromisso com sistemas de produção mais sustentáveis, baseados no aproveitamento dos recursos disponíveis nos territórios, na autonomia das famílias e nos princípios da agroecologia.
Ações chegam a Fortuna de Minas, Maravilhas, Pará de Minas e Florestal
No dia 23 de setembro, as ações seguiram para Fortuna de Minas (MG), onde os kits foram entregues às famílias das comunidades quilombolas de Beira Córrego e Retiro dos Moreiras.
Ainda no dia 23, no período da tarde, a entrega aconteceu em Maravilhas (MG), envolvendo famílias de mulheres da Cooperativa Maravilhense dos Agricultores Familiares de Boa Vista e da Associação dos Agricultores Familiares de Boa Vista (ACAFAM Maravilhas). A participação de grupos organizados, cooperativas e associações reforça uma das dimensões do projeto: apoiar não apenas as atividades realizadas nas propriedades, mas também os processos coletivos construídos nos territórios.
Já no dia 24 de setembro, os kits chegaram às famílias do Assentamento Ismene Mendes, em Pará de Minas (MG), em uma ação voltada a famílias lideradas por mulheres. No mesmo dia, a entrega também foi realizada em Florestal (MG), para famílias beneficiárias e associadas da Associação Florestalense de Agroecologia (Aflora).
A presença de organizações locais em diferentes etapas da ação contribui para fortalecer a articulação entre o projeto e as iniciativas já existentes nas comunidades, valorizando formas coletivas de organização e produção.
Entrega de chocadeiras marca o início de nova etapa da criação animal
Outra frente importante das ações de setembro foi a entrega de chocadeiras no Assentamento Roseli Nunes, em Pequi-MG, realizada no dia 30 de setembro.
A atividade foi acompanhada por uma oficina sobre uso e manejo das chocadeiras, com orientações sobre seu funcionamento, os cuidados com os equipamentos e os procedimentos necessários para a criação dos pintinhos. Também foram discutidas a organização do compartilhamento coletivo das chocadeiras e os cuidados com as aves após a eclosão.
A entrega marca o início de uma nova etapa do projeto voltada ao fortalecimento da criação de galinhas caipiras pelas famílias participantes. Como primeiro equipamento destinado diretamente à criação animal, as chocadeiras possibilitam a produção de pintinhos na própria comunidade, favorecendo a renovação e a ampliação dos plantéis e reduzindo a necessidade de aquisição externa de aves.

Uso coletivo fortalece organização e diversidade local
Além do uso produtivo, o compartilhamento das chocadeiras estimula a organização coletiva entre as famílias, possibilitando a troca de ovos férteis e a circulação de conhecimentos relacionados à criação de aves.
A dinâmica também contribui para valorizar aves adaptadas às condições locais e para a conservação e circulação de material genético de interesse das comunidades. O equipamento pode cumprir uma função que vai além da reprodução das aves: fortalece processos de cooperação e amplia a autonomia das famílias na criação animal.

Durante a oficina, o conhecimento sobre o manejo foi construído de forma prática, permitindo que as famílias compreendessem o funcionamento do equipamento e os cuidados necessários para garantir melhores condições de desenvolvimento dos pintinhos.
Ações que se complementam
Todas as atividades realizadas em setembro fazem parte de um conjunto de ações do projeto “Animais para Agroecologia”, que articula formação, acompanhamento técnico, intercâmbios e disponibilização de equipamentos para fortalecer a produção familiar.
Nesse processo, diferentes ações são planejadas de forma complementar. Para a criação de galinhas caipiras, por exemplo, está prevista em uma próxima etapa a entrega dos kits de estruturação de galinheiro, que deverão contribuir para a instalação e melhoria dos espaços destinados à criação.
A expectativa é que a combinação entre equipamentos, formação e organização coletiva contribua para sistemas de produção mais adequados às realidades das famílias, com maior autonomia e alinhados aos princípios da agroecologia e do bem-estar animal.
O conjunto de ações realizadas ao longo de setembro mostram, na prática, como o projeto busca fortalecer as capacidades já existentes nos territórios. Ao apoiar o trabalho cotidiano das famílias, estimular o uso de recursos locais e ampliar o acesso a equipamentos e conhecimentos, o projeto fortalece a produção, a cooperação e a autonomia de agricultores e agricultoras em diferentes regiões de Minas Gerais.
Texto: Carlos Fernando Ribeiro, Nayara Cristina Pereira
Imagens: equipe do projeto / NACAB