Na quarta-feira (14/10), representantes das pessoas atingidas da Região 3, da APA+, da ATI Paraopeba Nacab, da prefeitura de Paraopeba e do Ministério Público Federal (MPF) se reuniram para discutir o projeto de entreposto comercial do Anexo 1.1. Construída pelas pessoas atingidas, a proposta conta com o acompanhamento técnico do Nacab, que apoia sua articulação com os demais projetos e com o poder público.

No encontro, a prefeitura firmou o compromisso de disponibilizar um terreno para a iniciativa, que pretende valorizar a produção local e ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos das comunidades atingidas dos dez municípios da Região 3.
A reunião incluiu uma visita à área a ser doada, que tem cinco hectares e espaço para abrigar a estrutura inicial do entreposto, além de permitir futuras ampliações.

“Esse projeto tem o potencial de melhorar a vida de todos nós, porque todos somos pequenos produtores ou sitiantes, e agora teremos o incentivo de poder produzir poucas coisas como já fazemos nas propriedades, mas ter onde escoar esse produto.”
Rogério Gianetti, liderança de Fortuna de Minas
Estrutura para fortalecer a produção local
Além de apoiar a produção das comunidades atingidas, o entreposto irá facilitar diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a coleta até o beneficiamento, a embalagem, a rotulagem e a comercialização. A proposta inclui um veículo para buscar os produtos e concentrá-los em uma estrutura regional, ampliando o volume disponível e melhorando as condições para negociar com compradores.

“Você produz. Agora, como é que você vai embalar, como é que você vai comercializar, como é que você vai chegar no cliente final? É o maior gargalo que a gente tem.”
Mona Lisa Cardoso, produtora rural de Paraopeba
Entreposto virtual amplia alcance
Além da estrutura física, o projeto prevê um portal virtual para ampliar a divulgação e a comercialização dos produtos. Segundo Mona Lisa Cardoso, produtora rural de Paraopeba, a ideia surgiu durante o Encontro Rede de Projetos da Região 3, a partir das discussões sobre os desafios enfrentados por quem produz nas comunidades.
Projetos regionais conectados às iniciativas locais
O entreposto é ponto central de uma estratégia de desenvolvimento regional pensada pelas pessoas atingidas da Região 3. Segundo Rogério Gianetti, os cinco projetos regionais aprovados – entreposto comercial, fábrica de ração, revitalização das agroindústrias familiares, usina fotovoltaica e rede de capacitação – foram pensados para dar sustentação às iniciativas locais.
O entreposto deverá apoiar o escoamento dos quintais produtivos e das agroindústrias comunitárias e reduzir a dependência de atravessadores, contribuindo para que uma parcela maior da renda permaneça com quem produz.
Segundo estimativa apresentada no projeto, a fábrica de ração pretende oferecer o produto por um preço cerca de 30% menor que o de mercado. A usina fotovoltaica deverá atender inicialmente às necessidades energéticas do entreposto e da fábrica. Já a rede de capacitação buscará oferecer formações conforme as demandas das pessoas atingidas e de seus empreendimentos.
Durante a reunião, a ATI Paraopeba Nacab destacou que a comercialização foi identificada como um dos principais desafios para a continuidade dos projetos produtivos. A proposta é que o incentivo à produção se fortaleça com as condições de escoamento que o entreposto vai proporcionar, ampliando o acesso ao mercado.
Daiane Silva, coordenadora do Nacab em Paraopeba, ressaltou o protagonismo das pessoas atingidas: “Um diferencial da Região 3 é que as pessoas atingidas é quem têm pensado de fato a estratégia. Com apoio da consultoria e da assessoria técnica, foram elas que decidiram a estratégia e as parcerias que estão sendo estabelecidas”, afirma, destacando a parceria com a prefeitura de Paraopeba, fundamental para o avanço do projeto do entreposto.
O procurador da República Carlos Bruno Ferreira da Silva, do MPF, elogiou a estratégia adotada nos projetos regionais:

“Confesso que fiquei muito feliz com o avanço das iniciativas. Fica muito claro que a população, os atingidos, junto com a assessoria técnica, estão pensando essa primeira leva, essa primeira grande leva de projetos, com a ideia de projetos estruturantes.”
Dr. Carlos Bruno Ferreira da Silva, do MPF
Articulação entre os Anexos 1.1 e 1.3
Um dos pontos discutidos na reunião foi a possibilidade futura de oferecer, por meio do entreposto, produtos das comunidades para os serviços municipais, como as redes de educação e saúde.
O Anexo 1.1 contempla projetos de demandas das comunidades atingidas, enquanto o Anexo 1.3 foca no fortalecimento de políticas públicas. A articulação de ações que conectem os dois anexos ajuda a fomentar a reparação socioeconômica dos municípios atingidos da Bacia do Paraopeba e Represa de Três Marias.
Próximos passos
A proposta regional se conecta a uma demanda anterior do município por uma estrutura de apoio aos produtores rurais. O prefeito Aroldinho comentou a qualidade dos produtos locais e demonstrou confiança no avanço da iniciativa: “Tem muita coisa boa, se Deus quiser, vai dar certo”.
Para Ronaldo Marcelino, produtor rural de Beira Córrego, em Fortuna de Minas, a localização da área e o potencial de articulação entre as produções das comunidades representam uma oportunidade para o desenvolvimento regional.

“O que nós estamos vendo aqui hoje é um marco, uma situação estratégica, um diferencial logístico fantástico.”
Ronaldo Marcelino, produtor rural de Beira Córrego, em Fortuna de Minas
O próximo passo será definir e formalizar o instrumento jurídico para a disponibilização do terreno. A proposta prevê cessão de uso por três anos e, com o entreposto implementado, posterior doação da área.
Com o protagonismo das pessoas atingidas, o suporte e acompanhamento técnico do Nacab e a parceria com o Poder Público municipal, o entreposto pretende consolidar uma estrutura de apoio à produção e à geração de renda na Região 3.
Texto e fotos: Ariane Silva
Edição: Fabiano Azevedo e Daiane Silva
Publicação: Ariane Silva