No mês de maio, as pessoas atingidas de Casquilho de Cima se reuniram em pequenos grupos para conversar sobre os danos decorrentes do colapso da pilha de rejeitos da Jaguar, em dezembro de 2024. Os encontros, chamados de Café com Prosa, foram também momentos de troca e organização da comunidade para o fim da ATI Conceição do Pará, que encerrará seu trabalho junto às pessoas atingidas em junho de 2026. Neles, a Assessoria também fez o repasse das atividades realizadas e dos relatórios entregues para o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A ATI realizou onze Cafés com Prosa e, ao todo, mais de 80 pessoas da comunidade participaram dos encontros. Os cafés aconteceram nas casas onde as pessoas atingidas moram atualmente, em Conceição do Pará, Casquilho de Baixo, Pitangui, Nova Serrana e Pará de Minas. O espaço de escuta e troca é, ainda, uma oportunidade de encontro entre pessoas que, por muito tempo, moraram próximas e próximos umas e uns dos outros.
Como era a vida em Casquilho de Cima, como foi o dia do colapso, quando as pessoas da comunidade que sair de suas casas, e como vem se dando o processo de reparação desde então, são alguns dos assuntos abordados durante os cafés. Em um deles, Célia Conceição, cuja casa foi soterrada no dia 07/12/2024, relatou:
“Ninguém entendeu o que aconteceu, parecia uma minhoca debaixo da terra. Ia andando e abrindo os pedaços e fazendo os barulhos. Trem mais estranho. Na hora que estralava, a gente olhava, estourava, estava tipo uma ampulheta, devagarinho. Ivan (companheiro de Célia) estava limpando um peixe e a gente pensando se ia ser mais rápido, foi questão de eu sair de lá que tudo deslizou. Minha casa foi a primeira a ser soterrada, o pé de amora estava em cima do quarto de Lorrane, no outro estralo, a escada abriu e tudo desceu, desceu de uma vez.”
Célia Conceição,moradora de Casquilho de Cima.
Relatos como esse de Célia ajudaram a equipe da ATI na elaboração do “Relatório técnico com a consolidação das eventuais sugestões de complemento das espécies de danos previstas no Termo de Compromisso firmado com a Defensoria, identificando a respectiva valoração”, cujo prazo de entrega é em junho.
Outro assunto debatido durante os Cafés é o direito que a comunidade de Casquilho de Cima tem à Assessoria Técnica Independente (ATI) até a finalização do processo de reparação da comunidade. Apesar do encerramento do contrato do Nacab no dia 16 de junho, as pessoas atingidas ainda não foram reparadas por todos os danos decorrentes do colapso da pilhe e, portanto, continuam tendo o direito à Assessoria previsto no Termo de Acordo homologado na Ação Civil Pública contra a Jaguar.
O direito à ATI também está previsto na Política Estadual dos Atingidos por Barragens (Peab) e na Política Nacional de Direitos dos Atingidos por Barragens (Pnab). encarregada de assinar a lista final de pessoas atingidas que receberão a compensação.
Texto: Cecília Santos | Edição: Fabiano de Azevedo e Viete Passos