Na última terça-feira, dia 02 de dezembro, a Comissão de Pessoas Atingidas de Casquilho de Cima se reuniu com a equipe do Nacab na Câmara dos Vereadores de Conceição do Pará (MG). No encontro, os integrantes se apresentaram, contaram como o grupo surgiu e discutiram a formalização e a elaboração do Regramento Interno da Comissão – que deve ser a primeira coisa a ser construída.
O Nacab, por sua vez, apresentou os produtos que a ATI deverá entregar ao Ministério Público até o prazo final do contrato, e que devem ser elaborados junto à comunidade.
Ao final da reunião, a Comissão relatou algumas demandas de Casquilho de Cima. Entre elas, foi destacada a ausência de espaços de fala e de escuta com a mineradora e demais atores envolvidos na reparação. Segundo Soraia Gonçalvez, integrante da Comissão, “quem tem que ouvir, não ouve”, se referindo à mineradora Jaguar.
Outro problema relatado foi em relação à moradia provisória que é destinada à comunidade devido ao deslocamento forçado, feito após o deslizamento da Pilha de Rejeitos e Estéreis da mineradora Jaguar. Soraia conta que algumas dessas moradias são inadequadas, pois são pequenas e não atendem às pessoas atingidas em seus modos de viver, principalmente rompendo o elo de convívio entre elas.

Após um ano do deslizamento da pilha, as pessoas atingidas seguem sofrendo. O Nacab já entrou em contato com o Ministério Público, solicitando o cadastro feito pela Synergia, empresa contratada pela Jaguar para realizá-lo. A ATI deverá analisar o cadastro, verificar se há necessidade de complementações e se todas as pessoas atingidas foram devidamente incluídas.
Como parte do trabalho com a Comissão, ficou combinada uma nova reunião com o Nacab na próxima quarta-feira, 11 de dezembro. Posteriormente, o Regramento Interno será validado com toda a comunidade de Casquilho de Cima. A formalização da Comissão possibilitará a concretização de caminhos de comunicação com os atores envolvidos no Processo de Reparação, como o Ministério Público, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e a mineradora Jaguar.
Texto e fotos: Cecília Santos
Edição: Fabiano Azevedo e Viete P. Freitas