Nos dias 18 e 19 de maio, representantes das comunidades atingidas da Região 3 participaram do Seminário de Planejamento Estratégico Situacional para a Construção do Plano de Recuperação e Desenvolvimento Regional Comunitário (PRDC). Organizado pela ATI Paraopeba Nacab e realizado em Pequi, o encontro teve como objetivo a construção de diretrizes capazes de orientar a aplicação de recursos para o desenvolvimento dos territórios atingidos, no âmbito do Anexo 1.1 – Projetos de Demandas das Comunidades, do Acordo de Reparação.
Reunindo 48 pessoas atingidas, a equipe do Nacab e convidados, o encontro procurou consolidar uma visão compartilhada de futuro para a Região 3, considerando desafios comuns, potencialidades e formas de cooperação entre as comunidades, a partir do acúmulo construído nos últimos sete anos. Além disso, foi apresentado o aplicativo Território, ferramenta com informações sobre projetos, demandas, potencialidades e conexões entre as iniciativas.

O encontro propôs a reflexão sobre a sustentabilidade dos projetos, para além dos recursos previstos no Acordo, levando em consideração a gestão, responsabilidades, regras e garantias de continuidade. Também foram identificadas convergências entre propostas debatidas, especialmente nas áreas de quintais produtivos, produção coletiva, geração de renda, bem-estar e fortalecimento comunitário – algo aprofundado no Encontro Rede de Projetos, realizado em abril.
Para as pessoas atingidas o planejamento regional precisa considerar as diferentes realidades das comunidades, sobretudo dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs).
“É importante reconhecer as vulnerabilidades dos territórios, principalmente dos PCTs. Consolidamos, junto à ATI, um espaço importante de escuta coletiva, mas é fundamental que outras instituições também compreendam e fortaleçam esse processo”
Cacica Marinalva, da Aldeia Kamakã Kaê Há Puá
Construção de objetivos estratégicos
Divididos em grupos, os participantes se organizaram para a construção do Planejamento Estratégico Situacional (PES), começando pela identificação das dificuldades e desafios enfrentados pelas comunidades, passando pela construção de uma visão de futuro comum para a Região 3, chegando à definição de três objetivos estratégicos capazes de orientar o Plano de Recuperação e Desenvolvimento Regional Comunitário.
A partir desta ferramenta participativa vieram à tona questões burocráticas, a necessidade de fortalecimento da organização coletiva, da ampliação de espaços de produção e comercialização e o enfrentamento de problemas socioambientais persistentes.
“Esse planejamento nasce de um trabalho que vem sendo feito há anos pelas comunidades e passa pela Rede de Projetos até chegar aqui. Pensar o futuro da região nos permite sonhar com transformações reais e construir algo que também ficará para as próximas gerações”
Hélia Baeça, da comunidade Vista Alegre, em Esmeraldas
“É muito forte perceber a resiliência das pessoas atingidas e a forma como vêm se organizando para enfrentar esse problema. O que vimos aqui foi uma demonstração de esperança e disposição para transformar a realidade dos territórios a partir de um desenvolvimento solidário e conectado aos modos de vida da região”
Crispim Moreira, consultor sobre políticas públicas de combate à pobreza e desenvolvimento territorial
Três diretrizes para o desenvolvimento regional
Os debates realizados deram origem a diretrizes estratégicas organizadas em três eixos que orientarão o Plano de Desenvolvimento Regional Comunitário da Região 3: formação técnica, humanística e cooperada; organização das cadeias de valor; e infraestrutura básica adequada aos territórios.
No seminário também foram definidas as prioridades de implementação do Plano, o que fortaleceu o sentimento de amadurecimento coletivo sobre os caminhos necessários para garantir sustentabilidade aos projetos.
“Percebemos que não existe projeto sustentável sem formação, sem organização da cadeia de valor e sem infraestrutura adequada. Esses três elementos precisam caminhar juntos. Também ficou evidente a importância de traduzir esse planejamento em uma linguagem popular, para que todas as comunidades consigam compreender, participar e fortalecer esse processo”
Abdalah Nacif, da comunidade Beira Córrego, em Fortuna de Minas
Próximos passos
O desafio futuro será organizar os projetos, considerando os recursos do Anexo 1.1, fortalecendo conexões entre iniciativas e ampliando a capacidade de impacto regional. A expectativa é consolidar, nos próximos quatro meses, a “trilha crítica” do processo, aprofundando o detalhamento das propostas e estabelecendo as diretrizes junto às comunidades atingidas.
“Agora é o momento de dar contorno aos projetos, pensar como eles se conectam e como os recursos podem ser utilizados da melhor forma possível, sem perder de vista o desenvolvimento da região como um todo”
Marília Fontes, coordenadora-geral da ATI Paraopeba Nacab
A partir do dia 25 de maio serão iniciados os encontros entre as comunidades atingidas e a Entidade Gestora do Anexo 1.1, para a pactuação das diretrizes, o que deverá ser precedido por rodadas de diálogo com os Conselhos e Setores locais, com previsão de conclusão em junho.
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Texto e fotos: PH Reinaux
Edição: Fabiano Azevedo e Marcos Oliveira
Publicação: Marcos Oliveira