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Encontro sobre bancos comunitários fortalece o tema das finanças solidárias na Região 3 

Oficina organizada pelo instituto E-Dinheiro, que compõe a Entidade Gestora, apresentou os principais pontos sobre Bancos Comunitários para os Conselhos e Setores Regionais

No sábado, 19/09, aconteceu em Esmeraldas a “Sensibilização sobre Bancos Comunitários e Formação em Governança” sobre o Anexo 1.1, com representantes do Conselho e do Setor Regional. O encontro foi organizado pela Entidade Gestora junto ao instituto E-Dinheiro, tendo como objetivo sensibilizar a Região 3 sobre as principais características do Banco Comunitário, tais como funcionamento, circulação de recursos financeiros e o fortalecimento das comunidades no processo de reparação devido ao desastre-crime da Vale.

O Banco Comunitário consta na Proposta Definitiva, na parte destinada às finanças solidárias. Diferentemente dos bancos tradicionais, os bancos comunitários são organizados e geridos pela própria comunidade, através do sistema de governança popular, a partir das necessidades e especificidades de cada território. O banco tem como finalidade desenvolver economicamente a comunidade, facilitando o acesso ao crédito, fortalecendo os negócios locais e gerando renda e trabalho. 

Está prevista a criação de dois Bancos Comunitários para atender a Região 3.

Capital x produção

Leonora Mol, coordenadora local do E-dinheiro, explica que os bancos tradicionais se orientam pelo capital, enquanto os bancos comunitários têm como o alicerce a produção: “O Banco Comunitário se baseia no sistema da solidariedade, das finanças de proximidade, onde as pessoas efetivamente podem construir junto à comunidade um processo de transformação… a gente fala de dinheiro, mas de um dinheiro que faz a circulação de uma riqueza local que vai trazer trabalho, renda, perspectiva de outros trabalhos sociais e a solução dos problemas que as comunidades têm”.

Ela explica que, ao comprar itens básicos como sabonete, pasta de dente e alimentos que não são produzidos no território, o dinheiro não permanece na comunidade. Porém, quando se cria uma moeda social, onde há políticas de crédito específicas para aquela comunidade e há possibilidade de compra local com esta moeda, a comunidade cria um sistema de geração de renda em que o dinheiro permanece na comunidade. 

“O que a gente precisa para reconstruir as comunidades atualmente é que o sistema produtivo faça diferença na comunidade, ou seja, que a comunidade possa consumir e produzir dela própria”.

Leonora Mol, Coordenadora local E-dinheiro

Wiliam Pereira, da comunidade Vargem Grande (Pará de Minas), acredita que o Banco Comunitário pode ajudar muito as pessoas, inclusive a desenvolver os projetos do Anexo 1.1, como no caso dos quintais produtivos:

“Se for implementado, vai ajudar muitas as pessoas, especialmente os pequenos produtores… porque muitas vezes a pessoa consegue produzir, mas não consegue vender, então os vizinhos podem comprar dele, facilita”.

Wiliam Pereira, Vargem Grande (Pará de Minas)

Ele lembra que os PCTs também podem se beneficiar: “Os pescadores, por exemplo, que podem comprar as iscas dentro da própria comunidade, e viajam até a represa de Três Marias para pescar”.

Banco Comunitário e Crédito Solidário são coisas diferentes 

Durante o evento, foi ressaltado que Banco Comunitário e Crédito Solidário não são as mesmas coisas. O Crédito Solidário é a instituição financeira executora da metodologia de crédito e microcrédito do Anexo 1.1.   


Já o Banco Comunitário é um sistema criado, organizado e gerido coletivamente com uma moeda social própria.

 Nayara Sousa, do instituto E-Dinheiro, apresentou moedas sociais de diferentes Bancos Comunitários

Próximos passos 

A formação foi direcionada para membros do conselho e setor regionais, sem caráter deliberativo. Maiores detalhes para a formação do banco ainda serão debatidos futuramente pelas próprias pessoas atingidas. 

A Entidade Gestora comunicou que irá promover duas formações virtuais para a comunidade em geral da Região 3, ainda sem data definida.

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Texto e foto: Ester Louback
Edição: Fabiano Azevedo