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Intercâmbio de saberes com mulheres quilombolas agita Fortuna de Minas

Encontro concretiza o sonho das mulheres de Esmeraldas em fortalecer a rede e trocar experiências com outros territórios, resgatando o “saber fazer”  

Nos dias 16 e 23 de junho aconteceu o intercâmbio de ofícios entre o Coletivo Mulheres de Saberes, de Esmeraldas, e o projeto Arte do Quilombo, com oficinas de artesanato em cerâmica ministradas pelas mulheres das comunidades Retiro dos Moreiras e Beira Córrego, em Fortuna de Minas. 

O Coletivo Mulheres de Saberes foi formado há quase um ano por mulheres das comunidades Cachoeirinha, São José e Córrego de Pedra (Esmeraldas) e segundo Adriane Angélica, moradora de Córrego de Pedra, realizar oficinas com mulheres de outras cidades sempre foi um desejo do grupo. 

Em 2025, Adriane participou do Fórum de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR), em Barbacena (MG), onde conheceu Leandra Vieira, quilombola de Retiro dos Moreiras. Leandra apresentou o Arte do Quilombo – projeto que resgata saberes tradicionais do artesanato de cerâmica que se perderam ao longo do tempo. 

“Eu estava falando pra ela [Leandra] do nosso coletivo, do que a gente fazia lá, ela me contou que no quilombo onde ela morava fazia esse tipo de artesanato de argila, falei pra ela que era muito do nosso interesse aprender esse tipo de artesanato”

Adriane Angélica, moradora de Córrego de Pedra (Esmeraldas) 
Coletivo “Mulheres de Saberes” realiza o primeiro intercâmbio de ofícios com as integrantes do Arte do Quilombo 
Quando as mulheres se unem, os sonhos se concretizam 

Ativo há três anos, o grupo Arte do Quilombo acontece às terças-feiras, quando as mulheres se reúnem para produzir utensílios, como xícaras, pratos e vasos, feitos de forma artesanal.  

Maria Eliane, professora de cerâmica e quilombola, explica que o processo é totalmente manual, sem o uso de torno. As tintas também são extraídas da natureza. Segundo ela, o artesanato com barro fortaleceu a identidade do quilombo, ao resgatar técnicas tradicionais repassadas por gerações, como o uso da terra de formigueiro para fazer tinta e a pintura das peças de argila.  

“Moldamos todas as peças à mão, e a queima é feita em um forno convencional, a lenha. A gente percebe que a cerâmica criou uma identidade no fortalecimento da arte e resgatou o sonho de muitas mulheres que antes faziam [o artesanato] e pararam de fazer”

Maria Eliane, professora de cerâmica e quilombola
Utensílios em processo de produção feitos durante o encontro 
Redes de ensino, apoio e aprendizado 

Tanto o Coletivo Mulheres de Saberes quanto o projeto Arte do Quilombo possuem finalidades comuns: o ensino de ofícios para a geração de renda e a criação de espaços de encontro entre mulheres. 

Adriane Angélica destaca que os primeiros encontros focaram no aprendizado, mas a troca de ofícios continuará. Ela ressalta que momentos como esses são fundamentais para a geração de renda, o fortalecimento dos laços entre as mulheres e, principalmente, como rede de apoio – algo essencial para quem vive na área rural. 

“Hoje nós tivemos uma verdadeira troca de saberes. Aprendemos a trabalhar com argila e barro para fazer peças de cerâmica. Em contrapartida, vamos levar o conhecimento das coisas que já fazemos em nosso coletivo – nossas peças artesanais de gesso e as bolsas que produzimos. Continuaremos a ter outros encontros para dar continuidade a essa troca de conhecimentos”

Adriane Angélica, moradora de Córrego de Pedra (Esmeraldas)
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Texto e fotos: Ester Louback
Edição: Fabiano Azevendo e Marcos Oliveira
Fotos: Ester Louback
Publicação: Marcos Oliveira