Paraopeba

Linhas de Crédito e Microcrédito são definidas pelas pessoas atingidas da Região 3 da Bacia do Paraopeba 

Parte do Anexo 1.1, as modalidades de finanças solidárias pretendem auxiliar o desenvolvimento de atividades produtivas em locais impactados pelo crime da Vale

No sábado, 01/08, as pessoas atingidas se reuniram para definir as linhas de Crédito e Microcrédito destinadas à Região 3 da Bacia do Paraopeba. Realizada no SERPAF em Sete Lagoas (MG), a atividade faz parte do Anexo 1.1 do Acordo de Reparação e tem o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico das comunidades atingidas pelo rompimento em Brumadinho (MG), no ano de 2019. 

Estruturado em reuniões conjuntas com a Entidade Gestora e fundamentado na Governança do Anexo 1.1, o programa definiu três linhas de microcrédito para o Setor Regional, específico aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs): 

  • Microcrédito investimento, direcionado para produção ou empreendimento
  • Microcrédito não-produtivo livre, para finalidades diversas, sem a necessidade de estar vinculado a uma atividade produtiva
  • Microcrédito não-produtivo, destino a construção e reforma de espaços

Já o Conselho Regional aprovou duas linhas tradicionais de Crédito Produtivo (Empreendedorismo e Capital de Giro), para empreendimentos novos ou em atividade, mais três linhas direcionadas ao microcrédito:

  • Desenrola, para a quitação de dívidas
  • Pessoal Livre, para uso pessoal, sem finalidade exclusiva
  • Empreendedorismo, para o desenvolvimento de negócios
Foto: João Carvalho/ Entidade Gestora do Anexo 1.1

Qual a diferença entre crédito e microcrédito? 

O crédito é um empréstimo de maior valor, que pode ser adquirido por pessoa física ou jurídica e pode ser usado em investimentos que ajudem a gerar trabalho e renda. Já o microcrédito é um empréstimo de menor valor, para pessoas físicas. Tanto para o crédito quanto para o microcrédito, o empréstimo só é liberado após a validação dos documentos específicos exigidos.  

Crédito rotativo: um sistema comunitário  

Com taxas de juros abaixo da média de mercado, as linhas de crédito e microcrédito se baseiam no sistema rotativo, pois o valor pago retorna para a Região 3, podendo ser reaproveitado em novos financiamentos, fortalecendo a economia local.  

As pessoas atingidas destacaram que a diversidade dos envolvidos (comunidades, Entidade Gestora, ATI Paraopeba Nacab) possibilitou a construção de linhas democráticas e acessíveis para a Região 3. 

“Hoje nós temos a certeza de que o que definimos é algo concreto. A maioria das comunidades atingidas estão na área rural, com pouca presença e investimento do poder público e temos as linhas de crédito e microcrédito como oportunidade para reconstruir os projetos e os modos de vida das pessoas atingidas” 

Douglas Fernandes, Comunidade de Campo Alegre (Esmeraldas)

Para a ATI Paraopeba Nacab, esta definição, envolvendo o Setor e o Conselho Regional, além da Entidade Gestora, foi um marco, com destaque para a criação de propostas que dialogam com as especificidades dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). 

“O foco é garantir que o recurso chegue a quem mais precisa, promovendo autonomia e renda junto às pessoas atingidas, transformando o planejamento em ferramentas de inclusão financeira reais, oferecendo juros abaixo do mercado e carência adequada para fortalecer a economia e os meios de vida locais”

Luiz Carlos, ATI Paraopeba NACAB

Próximos passos 

Ainda no segundo semestre de 2026, está previsto o monitoramento das linhas de crédito implementadas, desde o perfil dos solicitantes, o município e a finalidade. Além disso, será discutida a criação de Bancos Comunitários de Desenvolvimento e Fundos Rotativos Solidários. 

Em diálogo com as comunidades, a Entidade Gestora planeja ações de educação financeira com as pessoas atingidas, para planejamento, caso tenham interesse em acessar o crédito.

20260805_Linhas de Crédito e Microcrédito são definidas pelas pessoas atingidas da Região 3 da Bacia do Paraopeba
Texto, fotos e publicação: Ester Louback
Edição: Fabiano Azevedo e Marcos Oliveira