Entre os dias 17 e 21/11, a mineração predatória foi pauta na 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA). A convite do Nacab, Carlos Augusto Mitraud, morador de Córregos, distrito de Conceição do Mato Dentro, representou as pessoas da região onde mora, atingidas pelo Sistema Minas-Rio, da Anglo American, participou de debates, palestras e espaços, onde trocou experiências e conhecimentos sobre temas diversos.
Além disso, a comitiva do Nacab na COP 30 acompanhou a pré-estreia do documentário “Mineração, Lucro e Devastação – A farsa da transição energética” da Fundação Rosa Luxemburgo, em parceria com o jornal Brasil de Fato. O filme expõe como a corrida global por minerais, chamados “críticos” — como o lítio, ampliou conflitos socioambientais, pressões territoriais e violações de direitos, em nome da “transição energética”.
“Estamos vivenciando um momento em que o capitalismo está jogando suas cartadas, tempos de pensamentos políticos radicais e, de repente, a gente vê que setores disseminados pela sociedade civil, no Brasil e no exterior, com a presença marcante de jovens, estão conectados com uma questão mais global, voltadas para o ambiente, para a natureza, algo que faz parte do planeta. Isso me agradou muito!”
Carlos Augusto Mitraud, morador de Córregos (Conceição do Mato Dentro)
Durante a COP 30, Carlos e um grupo de pessoas participariam da mesa de debate “Mineração em Minas Gerais: impactos, contradições, resistências e caminhos para uma transição justa”, mas um incêndio no prédio da Zona Azul, cancelou a iniciativa.

Participariam do debate: Marluce Abduane, diretora do Nacab; Rogério Giannetti, da Rede de Atingidos da Região 3 e do Movimento Paraopeba Participa, atingido pelo rompimento da barragem em Brumadinho; Roberta Cardoso, do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA); Gustavo Iorio, professor e membro do grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); e Dioclécio Soares Gomes, do Movimento de Soberania pela Soberania Popular na Mineração (MAM) no Pará.
Para Rogério Giannetti, de Beira Córrego (Fortuna de Minas), o sentimento é de indignação e responsabilidade. Indignação com a onipresença da Vale e de outras mineradoras tentando capturar o debate climático; e responsabilidade em levar para a bacia do Paraopeba a mensagem de que reparação integral, controle social e limitação mineração são condições mínimas para se falar em futuro.
“Essa experiência reforça o compromisso de seguir ao lado das pessoas atingidas, politizando a pauta climática no Judiciário, nas negociações de reparação e na disputa sobre o uso do território, para que o rompimento da Mina Córrego do Feijão e a não reparação efetiva dos danos não sejam normalizados como “custo do progresso”, mas reconhecidos como crimes que exigem justiça, mudança de modelo e garantia de direitos”
Rogério Giannetti, da comunidade de Beira Córrego (Fortuna de Minas)
“As atividades [da COP 30] trataram de temas ligados ao trabalho do Nacab, passando pela transição/expansão energética, pelo debate das crises alimentar, ecológica e social, pelas denúncias e anúncios na defesa dos territórios. A participação deixou mais evidente que precisamos nos apropriar das discussões sobre o enfrentamento ao colapso climático que estamos vivendo”
Marluce Abduane, diretora do Nacab
Conferência sobre Mudanças Climáticas
A COP 30 foi realizada de 10 a 21/11, a fim de agilizar a mobilização por uma ação global capaz de limitar o aquecimento do planeta e garantir recursos para países em desenvolvimento enfrentarem os desafios climáticos. Estiveram presentes representantes de 195 países, signatários da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC); representantes de organizações não governamentais (ONGs), ativistas, o setor privado, a academia, estados e municípios; equipes e autoridades da ONU e de outras instituições globais, envolvidas na governança climática.
A Zona Azul foi um espaço para negociações oficiais, enquanto a Zona Verde, aberta ao público, recebeu eventos paralelos e esteve destinada ao engajamento social.
Texto: Marcos Oliveira e Patrícia Castanheira
Publicação: Marcos Oliveira
Fotos: Acervo Nacab