ATI MACACOS

Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) discorda da Vale em relação ao cumprimento de manutenção das rotas de fuga em Macacos (MG)

As manutenções das vias estão previstas no Acordo Judicial firmado em decorrência do aumento do nível de emergência das barragens B3/B4, em 2019

Em agosto deste ano, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) requereu o cumprimento das obrigações judiciais impostas à Vale em relação à efetiva manutenção e conservação das rotas de fuga no distrito de Macacos (Nova Lima/MG). 

Segundo o MPMG, a mineradora descumpriu sistematicamente as obrigações pactuadas na Cláusula 3.7 do Termo de Acordo Judicial firmado em 2022 entre as Instituições de Justiça e a mineradora, decorrente do encadeamento de riscos gerados pela elevação do nível de emergência das barragens B3/B4, em 2019. 

A cláusula impõe à Vale a obrigação de elaborar e executar Plano de Trabalho para Adequação e Manutenção das Estradas relacionadas a Rotas de Fuga. Trata-se de obrigação indispensável para viabilizar o trânsito seguro da comunidade local e assegurar a entrada e saída de veículos de socorro, como ambulâncias e o Corpo de Bombeiros, em eventual cenário de desastre. 

O promotor Guilherme Germano, do MPMG, afirma:

Após diversas tratativas sem êxito com a Companhia Vale, que figura como compromissária, as demais instituições de justiça, inclusive o Ministério Público Estadual, optaram por ajuizar, exigindo o cumprimento judicial da cláusula e esperamos ter novas informações em breve

Guilherme Germano,promotor de Justiça

De acordo com petição elaborada pelo MPMG, a mineradora vem apresentando, desde o acordo firmado, planos insuficientes ao não considerar, por exemplo, o pior cenário de rompimento das barragens que rodeiam o distrito de Macacos. Os planos apresentados pela mineradora foram rejeitados pelas Defesas Civis Estadual e Municipal por descumprirem os requisitos do acordo, além de terem sido indeferidos pela Prefeitura de Nova Lima. 

As Defesas Civis de Nova Lima e de Minas Gerais apontaram a necessidade de pavimentação integral da rua São Luiz, Estrada do Engenho e Estrada Campo do Costa, e apontou que os planos apresentados não trazem soluções para trechos estreitos, erosões, deficiência de drenagem, ausência de iluminação e inacessibilidade de pedestres. Além disso, segundo o MPMG, os planos não consideraram a possibilidade de rompimento simultâneo das barragens da região e nem de eventos climáticos extremos decorrentes de mudanças climáticas.  

 As estradas permanecem estreitas e sem drenagem eficiente, sem iluminação, sem acessibilidade de pedestres, sem pavimentação e sinalização adequadas. Por conta disso, a comunidade de Macacos permanece sem segurança e com risco de isolamento em caso de rompimento, especialmente em cenários de evacuação noturna, sob condições meteorológicas adversas, durante o período chuvoso ou envolvendo pessoas idosas, crianças, pessoas com deficiência e outros moradores com mobilidade reduzida.  

A petição do MPMG reforça que a proximidade da estação chuvosa entre os meses de outubro e março agrava a vulnerabilidade da comunidade, já que as chuvas intensificam erosões, provocam alagamentos e reduzem a trafegabilidade das vias de terra. 

Diante disso, o MPMG exigiu da Vale, que ela revisse o seu plano de trabalho, incorporando integralmente as exibições técnicas das Defesas Civis, submissão do plano aos órgãos responsáveis e início imediato das obras após aprovação do plano, além de multa diária de R$ 10 mil, em caso de atraso ou descumprimento das exigências.  

Texto: Cecília Santos | Edição: Fabiano Azevedo, Juliana Parsons e Hosana Rodrigues