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Mulheres da Região 3 participam de Fórum da Igualdade Racial

Evento em Barbacena fortaleceu a luta antirracista e a construção coletiva da igualdade racial

Com o tema “Tecendo Cuidados em Saúde Mental da População Negra a partir das Raízes Ancestrais”, a 14ª edição do Fórum pela Promoção da Igualdade Racial (Foppir) aconteceu na cidade de Barbacena (MG), entre os dias 16 e 19 de outubro.

Organizado pelo FEMENE (Fórum Mineiro de Entidades Negras), o evento – que acontece a cada dois anos – tem por objetivo fortalecer a luta antirracista, promovendo espaços de diálogo, reflexão e construção coletiva em prol da igualdade racial.

Membros da ATI Paraopeba Nacab e da Região 3 marcaram presença no Fórum

“Eu amei participar do evento, foi libertador. Me fez ver que nós pessoas negras e quilombolas podemos nos unir e sermos mais fortes. Me fez ver um lado da vida que eu jamais imaginei participar, com pessoas que tem mesmo pensamento e a mesma ideologia.”

Leandra Gabriela, moradora da comunidade quilombola Retiro dos Moreiras, em Fortuna de Minas

A programação do fórum incluiu atividades como conferências, grupos de trabalho temáticos, vivências culturais e a redação da carta política, que marcou o encerramento do evento (leia aqui a carta).

Lidiane Barroso e Leandra Gabriela, da comunidade quilombola Retiro dos Moreiras, em Fortuna de Minas, e Adriane Angélica, da comunidade Córrego de Pedra, em Esmeraldas, representaram a Região 3 da Bacia do Paraopeba no evento. As três são mulheres negras e engajadas no movimento pela igualdade racial.

Adriane destacou a importância do debate sobre saúde para a população negra. Para ela, a escravidão marcou um rompimento dessa questão na cultura negra: “Foi muito bacana discutir a questão da saúde do povo negro, as nossas limitações e as consequências que a gente carrega até hoje, lá da escravidão, porque antes da escravidão, o povo negro tinha sua própria cultura medicinal. E tudo isso se perdeu com esse rompimento, com a escravidão que rompeu o povo negro da sua cultura, que criou esse abismo.”

“O Foppir me empoderou a continuar lutando pelos direitos e interesses dos povos negros e periféricos. Como mulher negra e atingida pelo crime em Brumadinho, minha presença lá foi uma forma de representar e dar voz às pessoas que muitas vezes são silenciadas, como foi com minhas raízes. Ouvir experiências e histórias permitiu que entendêssemos melhor a realidade dos povos negros e como o racismo e a opressão afetam nossas vidas.”

Lidiane Barroso, da comunidade quilombola Retiro dos Moreiras, em Fortuna de Minas

Texto: Rute Silva Santos e Fabiano Azevedo
Fotos: Rute Silva Santos e Comunicação do Foppir