Rio Doce e Agroecológico

Nacab forma equipe técnica para atuação em assentamentos da Bacia do Rio Doce

Seminário realizado em São Mateus (ES) reuniu profissionais que atuarão em 28 assentamentos de 14 municípios capixabas 

O Projeto Rio Doce e Agroecológico: Fortalecendo a Reforma Agrária Popular – ES, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou, entre os dias 11 e 13 de agosto, o Primeiro Seminário de Formação, Capacitação e Planejamento de sua equipe técnica, no Centro de Formação Maria Olinda, em São Mateus (ES). 

O projeto integra as ações de reparação do Rio Doce voltadas à recuperação econômica, produtiva e socioambiental dos territórios atingidos pelo desastre-crime do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. 

O seminário possibilitou o alinhamento, a integração e a consolidação da equipe que atuará diretamente nos territórios capixabas ao longo dos próximos dois anos de execução do projeto. Composta por profissionais com experiência técnica e atuação agroecológica e em assentamentos de reforma agrária, a equipe multidisciplinar do projeto apresenta, também, diversidade de gênero e étnico-racial, reunindo pessoas com experiência técnica e atuação em assentamentos de reforma agrária e na agroecologia. 

Para a Coordenadora Institucional, Luiza Monteiro, a formação e a integração da equipe são fundamentais para garantir uma presença qualificada, contínua e comprometida nos territórios, assegurando uma escuta atenta às realidades locais e uma atuação articulada e alinhada às demandas, aos saberes e às necessidades das famílias assentadas. 

Equipe técnica do Projeto Rio Doce e Agroecológico, durante o Seminário de Formação, Capacitação e Planejamento
foto: Thiago Rabelo

Diretrizes, planejamento e organização territorial 

Além da apresentação conduzida por Luiza, o seminário contou com momentos dedicados às diretrizes do projeto, ao planejamento das ações, à articulação institucional e organização da atuação territorial. A coordenadora Administrativo-Financeira Ana Luiza Villas Bôas apresentou orientações relacionadas à execução da iniciativa, trazendo a importância de alinhar expectativas pessoais e coletivas para a criação de um ambiente de trabalho saudável e colaborativo. 

Com o objetivo de contextualizar o território de abrangência do projeto, Ademilson Pereira, dirigente da coordenação estadual do MST/ES, apresentou um histórico minucioso sobre a origem, evolução e desafios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, com foco no Espírito Santo, contextualizando-o no cenário político, econômico e social brasileiro e latino-americano. Em seguida, Adelso Lima, do setor de produção do MST/ES, abordou fatores organizacionais e produtivos, trazendo os desafios e a importância social e econômica das famílias assentadas. 

Por fim, Saulo Cordeiro, da coordenação do projeto, trouxe a luta pela reforma agrária na perspectiva da repactuação, frente aos impactos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão. 

Equipe do Nacab e professores da Escola Estadual Vale da Vitória, no Distrito de Nestor Gomes, em São Mateus (ES)
foto: Thiago Rabelo

Aproximação com a realidade dos assentamentos 

A programação também incluiu uma visita à Escola Estadual Vale da Vitória, no Distrito de Nestor Gomes, em São Mateus (ES). A escola é fruto da primeira ocupação de terra organizada pelo MST no Espírito Santo, há 40 anos. Na oportunidade, a equipe participou de uma mística conduzida por estudantes e professores. A atividade contribuiu para aproximar os profissionais da realidade local e reforçou a importância de compreender as dinâmicas sociais, culturais e produtivas presentes nos territórios onde o projeto será desenvolvido. 

Metas voltadas à produção e à geração de renda 

Dentre diversas ações, o projeto atenderá 600 famílias distribuídas em 28 assentamentos de 14 municípios do Espírito Santo. Entre as metas, estão a elaboração de 130 projetos técnicos, a realização de 40 capacitações, com alcance estimado de 4 mil pessoas, e a implantação de 50 quintais produtivos. 

A iniciativa também prevê a estruturação de uma unidade de produção de bioinsumos, com capacidade estimada de 33 mil litros por ano, e de um viveiro com potencial para produzir 1 milhão de mudas anualmente. Essas estruturas deverão apoiar a transição agroecológica, a recuperação produtiva dos territórios e a disseminação de práticas sustentáveis entre as famílias atendidas. 

Outra meta de atuação será o fortalecimento da economia circular e da comercialização da produção, com a criação de circuitos de comercialização e o apoio ao acesso a políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O assessoramento técnico também deverá contribuir para ampliar as oportunidades de produção, organização coletiva e geração de renda nos assentamentos.

Próximas etapas 

Com a conclusão do seminário, a equipe técnica inicia a etapa de mobilização e preparação para o trabalho de campo. A partir desse processo, serão organizadas as primeiras ações nos assentamentos, seguindo o cronograma de execução e as prioridades identificadas junto às famílias e às comunidades. 

Texto: Thiago Rabelo/ NACAB
Edição: Fabiano Azevedo