O Projeto Rio Doce e Agroecológico: Fortalecendo a Reforma Agrária Popular – ES, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou, entre os dias 11 e 13 de agosto, o Primeiro Seminário de Formação, Capacitação e Planejamento de sua equipe técnica, no Centro de Formação Maria Olinda, em São Mateus (ES).
O projeto integra as ações de reparação do Rio Doce voltadas à recuperação econômica, produtiva e socioambiental dos territórios atingidos pelo desastre-crime do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
O seminário possibilitou o alinhamento, a integração e a consolidação da equipe que atuará diretamente nos territórios capixabas ao longo dos próximos dois anos de execução do projeto. Composta por profissionais com experiência técnica e atuação agroecológica e em assentamentos de reforma agrária, a equipe multidisciplinar do projeto apresenta, também, diversidade de gênero e étnico-racial, reunindo pessoas com experiência técnica e atuação em assentamentos de reforma agrária e na agroecologia.
Para a Coordenadora Institucional, Luiza Monteiro, a formação e a integração da equipe são fundamentais para garantir uma presença qualificada, contínua e comprometida nos territórios, assegurando uma escuta atenta às realidades locais e uma atuação articulada e alinhada às demandas, aos saberes e às necessidades das famílias assentadas.

foto: Thiago Rabelo
Diretrizes, planejamento e organização territorial
Além da apresentação conduzida por Luiza, o seminário contou com momentos dedicados às diretrizes do projeto, ao planejamento das ações, à articulação institucional e organização da atuação territorial. A coordenadora Administrativo-Financeira Ana Luiza Villas Bôas apresentou orientações relacionadas à execução da iniciativa, trazendo a importância de alinhar expectativas pessoais e coletivas para a criação de um ambiente de trabalho saudável e colaborativo.
Com o objetivo de contextualizar o território de abrangência do projeto, Ademilson Pereira, dirigente da coordenação estadual do MST/ES, apresentou um histórico minucioso sobre a origem, evolução e desafios do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, com foco no Espírito Santo, contextualizando-o no cenário político, econômico e social brasileiro e latino-americano. Em seguida, Adelso Lima, do setor de produção do MST/ES, abordou fatores organizacionais e produtivos, trazendo os desafios e a importância social e econômica das famílias assentadas.
Por fim, Saulo Cordeiro, da coordenação do projeto, trouxe a luta pela reforma agrária na perspectiva da repactuação, frente aos impactos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão.

foto: Thiago Rabelo
Aproximação com a realidade dos assentamentos
A programação também incluiu uma visita à Escola Estadual Vale da Vitória, no Distrito de Nestor Gomes, em São Mateus (ES). A escola é fruto da primeira ocupação de terra organizada pelo MST no Espírito Santo, há 40 anos. Na oportunidade, a equipe participou de uma mística conduzida por estudantes e professores. A atividade contribuiu para aproximar os profissionais da realidade local e reforçou a importância de compreender as dinâmicas sociais, culturais e produtivas presentes nos territórios onde o projeto será desenvolvido.
Metas voltadas à produção e à geração de renda
Dentre diversas ações, o projeto atenderá 600 famílias distribuídas em 28 assentamentos de 14 municípios do Espírito Santo. Entre as metas, estão a elaboração de 130 projetos técnicos, a realização de 40 capacitações, com alcance estimado de 4 mil pessoas, e a implantação de 50 quintais produtivos.
A iniciativa também prevê a estruturação de uma unidade de produção de bioinsumos, com capacidade estimada de 33 mil litros por ano, e de um viveiro com potencial para produzir 1 milhão de mudas anualmente. Essas estruturas deverão apoiar a transição agroecológica, a recuperação produtiva dos territórios e a disseminação de práticas sustentáveis entre as famílias atendidas.
Outra meta de atuação será o fortalecimento da economia circular e da comercialização da produção, com a criação de circuitos de comercialização e o apoio ao acesso a políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O assessoramento técnico também deverá contribuir para ampliar as oportunidades de produção, organização coletiva e geração de renda nos assentamentos.
Próximas etapas
Com a conclusão do seminário, a equipe técnica inicia a etapa de mobilização e preparação para o trabalho de campo. A partir desse processo, serão organizadas as primeiras ações nos assentamentos, seguindo o cronograma de execução e as prioridades identificadas junto às famílias e às comunidades.
Texto: Thiago Rabelo/ NACAB
Edição: Fabiano Azevedo