Os municípios de Esmeraldas e Paraopeba receberam, nos dias 06 e 07/06, o 1º Seminário Regional de Piscicultura e Aquaponia, destinado às pessoas atingidas de diversas comunidades da região 3 da bacia do Paraopeba. O evento aconteceu, respectivamente, na Fazenda Ciclos, em Vista Alegre, e na Floresta Nacional (FLONA) de Paraopeba. O objetivo foi de trazer as possibilidades de integração da criação de peixes com diversas atividades parceiras dentro da pequena propriedade rural, as possibilidades de comercialização, negócios e agregação de valor dentro de uma produção coletiva, organizada e direcionada para o mercado local.
A Rede de Atingidos, principal instância organizada da Região 3, mobilizou diversas comunidades e localidades dos dois municípios para a participação no seminário. De Esmeraldas, participaram pessoas atingidas de São José da Varginha, Córrego de Areia, Assentamento Roseli Nunes, Beira Córrego, Soledade (Pequi), Três Barras, Aldeia Kamakã e Muquém. De Paraopeba, participaram pessoas de Retiro, Papagaios, Lagoinha, Shopping da Minhoca e Terreiro do Pai Jardel.

Além da apresentação de projetos-piloto desenvolvidos no estado, o evento contou com trocas de conhecimento entre especialistas, pescadores e produtores. Foram abordados os conceitos essenciais da aquaponia, prática de criação de peixes em áreas urbanas e rurais, cujos benefícios vão além da produção de alimentos, como geração de renda, alimentação saudável e redução do uso de água e fertilizantes na agricultura.
Para o pastor Joaquim Matias, atingido de Lagoinha, em Caetanópolis. o evento foi importante para gerar, na comunidade, a identificação dos desafios e provocar um direcionamento nas pessoas interessadas.
“O momento é de buscar sanar uma dor causada pelo rompimento da barragem, que foi o fim da atividade pesqueira no rio Paraopeba, além de criar oportunidades para a grande maioria das pessoas que nunca desenvolveram esta atividade. Será tudo novo para nós”, afirma o pastor Joaquim Matias, atingido de Lagoinha (Caetanópolis).
Foi discutida, também, a viabilidade das regiões de Esmeraldas e Paraopeba para a aquaponia, bem como o desenvolvimento de parcerias para produção, beneficiamento e comercialização:
“Já temos uma noção de potencial, tanto para o peixe quanto para hortaliças, galinhas poedeiras, frangos. Na linha de comercialização de iscas, o Shopping da Minhoca tem um potencial enorme, inclusive para a venda de peixes vivos. Pode-se trabalhar muito com a economia circular e com o reaproveitamento, tornando esses produtos mais baratos e competitivos, dentro de uma linha de economia solidária”, diz Giovanni Resende de Oliveira, da EPAMIG.
Jordane Rangel, da comunidade de Retiro, em Paraopeba, vê algumas dificuldades na implementação da aquaponia e na comercialização de peixes na região.
“Pode vir a dar certo, só que a burocracia é muita pra fazer esses tanques de peixe, pra venda, a legalização dos documentos… Aqui na região nossa, é mais frango, é boi, é porco, aí pra peixe ainda tá no início”, comenta Jordane Rangel, da comunidade de Retiro (Paraopeba).
O Seminário foi promovido pela EPAMIG, por meio do pesquisador Giovanni Resende de Oliveira, e Vanessa Guimarães, representante do mandato Juntos para Servir, dos deputados Padre João e Leleco Pimentel, do PT de Minas Gerais. O Nacab esteve presente, contribuindo com o evento e participação das pessoas atingidas.
Texto e fotos: Iara Milreu
Edição: Fabiano Azevedo
Publicação: Marcos Oliveira