No dia 09 de outubro, mulheres de Pequi, São José da Varginha, Fortuna de Minas e Florestal se reuniram no salão da Igreja da Gameleira, em Florestal, para aprender sobre a produção de sabonetes, misturando ciência, cuidado e memória.
Organizada pela ATI Paraopeba Nacab, a oficina apresentou o passo a passo da saponificação, reação que transforma gordura e produtos naturais em sabão, detalhando cálculos, medidas e o uso correto dos equipamentos de proteção.
A possibilidade de produzir sabonetes para uso em casa e para a comercialização despertou a curiosidade das mulheres, pois apresenta-se como uma forma de economizar e gerar renda. “É um produto que todo mundo usa, o que facilita a venda. Além disso, cresce a procura por produtos mais saudáveis e naturais, que melhoram a qualidade de vida e fortalecem o cuidado com a nossa comunidade”, contou Ana Paula de Farias, da comunidade de Cachoeirinha (São José da Varginha)

A união entre as mulheres da região foi algo destacado na atividade. “Isso é um pontapé inicial para a organização das mulheres. A gente pode se juntar e formar um grupo para tudo: formação, projetos, melhorias das nossas casas e comunidades, e para vender o que a gente produz”, descreveu Maria da Conceição Vieira, da Comunidade dos Rosas (Florestal).
O crime da Vale impactou de forma específica as mulheres, que vivenciam de perto os danos da contaminação e da falta de água em suas rotinas nas hortas e nos quintais. “Antes a gente usava água de qualidade, podia pescar e ter nosso lazer. Depois do rompimento, muitas mulheres ficaram deprimidas. Então chegou o momento de juntar essa mulherada e trabalhar, pois somos um pilar na família e na comunidade”, concluiu Rosilene dos Santos Gomes, da comunidade de Três Barras (Fortuna de Minas)
Texto e fotos: PH Reinaux
Edição e publicação: Marcos Oliveira