A ATI Paraopeba Nacab acompanhou, entre 10 e 13 de julho, um grupo de pessoas atingidas da Bacia do Paraopeba em um intercâmbio agroecológico pela Zona da Mata de Minas Gerais.
A primeira parada foi na Escola Família Agrícola (EFA) Paulo Freire, em Acaiaca, onde os visitantes aprenderam sobre as origens da iniciativa e seu método de ensino, alinhada à pedagogia de alternância, em que os alunos ficam 15 dias na escola e 15 dias em casa. O intercâmbio, realizado nos dias 10 e 11/07, também contou com uma visita guiada pelos alunos e alunas nas áreas de cultivo, compostagem, criação de porcos e galinhas e experimentos agroecológicos, que também fazem parte dos estudos.
“Fiquei muito impressionado com o trabalho deles, tem jovens lá de 15 anos, mais velhos um pouco, que saem de suas cidades, até de Belo Horizonte, e já saem de lá com o certificado de curso técnico. Eles ficam na escola 15 dias, em horário integral, e têm aulas teóricas, práticas, põem a mão na massa, inclusive tem hortas totalmente voltadas para a agroecologia, sem usar nenhum tipo de agrotóxico, fiquei muito impactado como que a visão deles é diferente aqui da nossa região. Eles têm uma visão totalmente voltada para o meio ambiente, para a saúde dos nossos solos, então foi bastante proveitoso”
Nilmar Ramos, morador da comunidade de Lagoinha (Caetanópolis)

No dia 11/07, o grupo também visitou o Assentamento Olga Benário, em Visconde do Rio Branco, onde conversou com mulheres responsáveis pela gestão de uma padaria comunitária e que atende diversas escolas da região, por meio do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). A experiência também apresentou hortas de feijão, milho e hortaliças, além da pastagem da família de Valdinei Siqueira, que rende cerca de 80 litros de leite por dia, sem uso de ração industrializada ou antibióticos no trato das vacas.
Na sequência do intercâmbio, nos dias 12 e 13/07, as pessoas atingidas participaram da Troca de Saberes, na Universidade Federal de Viçosa. Em sua 16ª edição, o evento promoveu rodas de conversas, uma feira de produtos da agricultura familiar e o compartilhamento de sementes crioulas, trazidas pelas próprias pessoas que visitaram o local e ajudaram a construir a iniciativa.
“A gente aprendeu muita coisa… que a gente tem que preservar a natureza, as águas, e a gente não pode mexer com agrotóxicos, e a gente tem que ser contra as mineradoras… foi muito bom”
Valéria Ferreira, do grupo de trabalhadores rurais de Papagaios
Veja abaixo os álbuns de fotos dos intercâmbios realizados
Texto: Fabiano Azevedo
Fotos: Marcos Oliveira
Edição: Marcos Oliveira
Publicação: Marcos Oliveira