Paraopeba

Quilombo da Pontinha celebra memória, resistência e a consciência negra 

Comunidade se mobilizou em quatro dias de festa que transformaram o território num espaço de arte, convivência e espiritualidade

Entre os dias 20 e 23/11, o Quilombo da Pontinha, em Paraopeba, recebeu a 23ª edição da tradicional Festa Quilombola, em homenagem ao Dia da Consciência Negra. O encontro reuniu cerca de 10 mil pessoas, entre moradores, visitantes e lideranças culturais e religiosas. 

Com uma programação marcada pela celebração da ancestralidade, a valorização da cultura afro-brasileira e o fortalecimento das identidades quilombolas, foram quatro dias que reafirmaram a importância do quilombo na região, destacando a luta e a presença quilombola no território.  

“É uma festa tradicional, que resgata as raízes. E sem o apoio de todas as comunidades e de vocês do Nacab, não teria essa festa. Contamos com a presença de famílias vindas de Paraopeba, Caetanópolis, Cordisburgo, Fortuna de Minas, Sete Lagoas, Belo Horizonte e de toda a região”

Ênio Clécio, vice-presidente da associação quilombola da Pontinha

Além da presença das comunidades locais, quilombolas de outras regiões também reforçaram os vínculos históricos que ligam esses territórios tradicionais, reforçando o sentimento de irmandade entre as comunidades.

“Sou quilombola e sou muito grata pelo acolhimento dos irmãos de quilombo. Eu penso que todos os quilombos deveriam se unir, mas essa vinda aqui hoje não é a primeira. Já temos um laço muito forte que nos une com Pontinha”

Nilza Alves da Silva, do Quilombo Retiro dos Moreiras e Beira Córrego

A Festa do Quilombo da Pontinha é um dos eventos mais importantes da região de Paraopeba e Caetanópolis, reunindo tradições religiosas, música, dança, gastronomia e expressões da resistência negra. Essa diversidade evidencia o cuidado e o envolvimento da comunidade no trabalho coletivo, que começa antes da festa acontecer.

“A preparação vem meses antes, mas é uma euforia, porque é uma festa de pertencimento, de raça, de raízes, de resiliência. Então é gratificante. Estou expondo ali os meus artesanatos e, mesmo que eu não venda, é um prazer expor e participar da festa”

Shênia Márcia Moreira, moradora do Quilombo e artesã

Realizar esse evento é um sonho, porque sempre gostei de festa. Tivemos quatro dias de cultura, tradição e encantos. A nossa comunidade é isso. O que ela gosta de fazer é estar em festa, em alegria, porque é o povo guerreiro, o povo lutador, o povo resistente. Viva o quilombo, viva a consciência negra!”

Sandra Moreira, presidente da Associação Quilombola da Pontinha

Mais do que comemorar, a festa reafirmou o orgulho, a luta e a presença dos povos quilombolas em Minas Gerais.

23ª Festa Quilombo da Pontinha

Texto e fotos: Iara Milreu
Edição e publicação: Marcos Oliveira