No dia 26/07 foi realizado um encontro entre pessoas atingidas de religiões de matriz africana, dos municípios de Papagaios e Paraopeba, com o Povo Xukuru Kariri, na Aldeia Indígena Arapoã Kakýa, em Brumadinho, integrando grupos, realidades e vivências diversas.
Promovido pela ATI Paraopeba Nacab, este intercâmbio contou com a participação de integrantes da ‘Aldeia das Folhas Tenda Pai Julião das Almas’ e do ‘Terreiro Pai Xangô’, sendo um momento de celebração e crescimento espiritual, no fortalecimento da luta por direitos e liberdade religiosa.
As atividades foram iniciadas com uma apresentação indígena de ‘boas-vindas’, o toré, e uma caminhada em que os visitantes conheceram a organização do povo Xukuru Kariri (produção de alimentos, moradia, culto à divindade e lazer); a horta coletiva, os locais comunitários e as salas de aula para o ensino formal de crianças e jovens da aldeia.
Na continuidade do intercâmbio foi realizada uma roda de conversa sobre cultura, etnia e território, em que os povos de terreiros trocaram experiências e reforçaram o sentimento de unidade e resistência na luta contra a mineração.
“Ter a oportunidade de fazer esse intercâmbio é importante para a gente entender um pouco da luta deles e para o fortalecimento, a troca de saberes e de conhecimentos. É de extrema importância entender essa luta que eles têm contra as mineradoras, que não é tão diferente da luta que a gente tem hoje contra a Vale”
Pai Tozinho, da Aldeia das Folhas Tenda Pai Julião das Almas (Paraopeba)
“A gente ‘tá’ aqui conhecendo a cultura e ‘tá’ sendo muito proveitoso. Trazer um pouco de nossa ancestralidade também. Somos atingidos pela barragem e eles vivem agora em Brumadinho. Viemos para conhecer de perto essa luta”
Geraldo Júnior Reis, do terreiro Pai Xangô (Papagaios)
História de luta e resistência
Formada por 17 famílias do Povo Xukuru-Kariri, vindas de Alagoas, a Aldeia Arapoã Kakýa é fruto de uma peregrinação de várias décadas que resultou na ocupação de uma das 127 fazendas ociosas, compradas pela Vale após o desastre-crime, em 2019.
A ocupação feita pela aldeia contribui para a proteção ambiental, pois pressiona a mineradora a liberar o território para a comunidade indígena, que historicamente cuida e se relaciona intimamente com a natureza.
“O antropólogo tem que ter muito cuidado. Dentro de uma aldeia, o antropólogo vai fazer uma divisão. Quando tiver um pensamento de senhor, que é menos indígena, ele quer passar por cima das organizações. A nossa religião não passa por cima de ninguém”
Cacique Arapowanã, da aldeia Arapoã Kakýa (Brumadinho)
Texto: Iara Milreu
Fotos: Iara Milreu
Edição: Marcos Oliveira
Publicação: Marcos Oliveira