Paraopeba

Rio Paraopeba agoniza: moradores denunciam morte de peixes em Esmeraldas

Sem explicação oficial, população ribeirinha está aflita

Moradores ribeirinhos do rio Paraopeba, na altura de Esmeraldas, vêm relatando uma nova e intensa mortandade de peixes, desde o dia 5 de setembro. Espécies aparecem boiando ou agonizando nas margens, sem explicação oficial. A cena reforça o medo e a insegurança que marcam a vida das comunidades atingidas desde o rompimento da barragem da Vale, em 2019. 

Nos últimos dias, vários vídeos circulam nos grupos de pessoas atingidas e de moradores da Região 3, sempre mostrando peixes mortos nas águas do Paraopeba.

Ricardo Luiz, morador da comunidade de Padre João e pescador há mais de 30 anos, acompanha o problema de perto. Ele vem registrando as mortes dos peixes desde o primeiro dia e relata a dor em ver tantas espécies morrendo ou se debatendo na beira do rio. “Não dá para ter confiança aqui no rio. Não investem na despoluição do Paraopeba. Ao invés de despoluir e reflorestar as margens, investem em outras coisas. É muito difícil ver peixes morrendo desse jeito, eu acho que lançaram alguma coisa na água mais para cima. Não estamos tendo chuva, para mexer com o rio. Não foi revirado o fundo da água”, reclama o pescador. “O rio Paraopeba é o berçário do rio São Francisco. As espécies que têm lá, nós temos aqui. E eles estão conseguindo matar o rio”, completa.  

Os Estudos de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE) ainda não tiveram conclusões divulgadas, o que deixa as pessoas que vivem nas comunidades sem respostas e ainda mais inseguras. 

“Não tivemos nenhum resultado dos estudos que fizeram sobre os riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A conclusão desses estudos é muito importante para nós que moramos próximo ao rio. Não é saudável para ninguém conviver com a insegurança, como estamos vivendo desde o rompimento da barragem. Precisamos de informações. O rio para gente é vida. É agoniante ver as coisas como estão”, destaca Patrícia Passarela, moradora da comunidade de Taquaras em Esmeraldas.  

Segundo matéria veiculada hoje na Globo, órgãos competentes como o IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), o Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraopeba e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente estão monitorando e avaliando as águas para tentar descobrir o que vem ocorrendo. 

O Nacab irá encaminhar, em tom de urgência, uma notificação aos órgãos competentes, em busca de respostas e de uma maior transparência sobre o que se passa com o rio Paraopeba. 

Texto: Marcio Martins
Edição: Fabiano Azevedo
Fotos e vídeos: Pescadores de Esmeraldas