Na última quinta-feira, 14/05, pessoas atingidas de Esmeraldas participaram de audiência pública na Câmara Municipal, para discutir sobre a aplicação dos recursos do Anexo 2.2 do Acordo Judicial de Reparação, direcionados à universalização do saneamento básico na bacia do rio Paraopeba.
A atividade reuniu representantes das comunidades atingidas, do poder público municipal e da ATI Paraopeba Nacab. A principal reivindicação apresentada foi que os recursos da reparação fossem aplicados prioritariamente a quem ainda convive com os danos do desastre-crime.
As pessoas atingidas cobraram informações relacionadas ao cronograma, aos critérios de escolha das áreas atendidas e à garantia da aplicação dos recursos priorizando os territórios mais afetados.
Entre as principais dúvidas, destacaram-se: quais os valores disponíveis, qual a previsão para as obras e soluções previstas para aplicação dos recursos nas comunidades atingidas. Além disso, houve questionamentos sobre os levantamentos técnicos que estão sendo realizados nas comunidades e a preocupação sobre os custos para a manutenção de sistemas individuais de saneamento.
A demora na reparação e como está sendo feita a aplicação dos recursos foram motivo de lamento e questionamento por parte das pessoas atingidas.
“São sete anos e meio de luta. A gente está cansado de reunião, cansado de promessa e quer ver a reparação chegar de verdade nas comunidades”
Patrícia Passarela, da comunidade de Taquaras
“A pergunta é simples: quanto tem hoje disponível para Esmeraldas e o que efetivamente está planejado para as comunidades atingidas?”
Milton Cirino, da comunidade Vale das Garças
Representantes da prefeitura informaram que Esmeraldas possui, em maio de 2026, cerca de R$ 305 milhões disponíveis para as ações do Anexo 2.2, sendo o terceiro maior beneficiário do programa de saneamento entre os municípios atingidos.
Segundo informações apresentadas na audiência pelos representantes do poder público municipal, o Projeto precisa cumprir um cronograma específico para acesso ao recurso pelo município. O Anexo 2.2 indica que as comunidades atingidas precisam ser atendidas de forma preferencial e se as obras não forem iniciadas onde o rompimento gerou um impacto direto, as pessoas atingidas terão seus direitos negados.
Abaixo está disponível a transmissão da audiência:
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Texto: Ester Louback e Luís Henrique do Carmo
Fotos: Luís Henrique do Carmo
Edição e publicação: Marcos Oliveira