Paraopeba

Pessoas atingidas aprofundam debate sobre cadeias de valor para desenvolvimento da Região 3

Identificar desafios e oportunidades para o desenvolvimento dos territórios foi pauta do encontro realizado pelo Nacab e a Consultoria Rede Terra

A construção do Plano de Desenvolvimento Regional Comunitário (PRDC) da Região 3, no contexto do Anexo 1.1 da Reparação Socioeconômica, que trata dos Projetos de Demandas das Comunidades e dos programas de Crédito e Microcrédito, avançou mais uma etapa no sábado (29/08), durante Encontro de Grupos Focais, em Florestal (MG). A atividade reuniu pessoas atingidas dos dez municípios da Região 3 para aprofundar o debate sobre cadeias de valor consideradas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios atingidos pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. Nesta etapa, o objetivo foi compreender como funcionam as atividades produtivas inicialmente priorizadas, quem são os atores envolvidos, quais os desafios enfrentados e quais caminhos podem fortalecer a economia e o desenvolvimento regional. 

A atividade é resultado de um processo iniciado ao longo deste ano. Segundo Celiane Xavier, da Gerência de Reparação da ATI Paraopeba Nacab, a proposta vai além da execução dos recursos previstos no Acordo de Reparação. “Esse encontro é a continuidade da construção do Plano de Desenvolvimento Regional. Estamos discutindo diretrizes e estratégias para organizar a atuação em rede na Região 3. Essa é uma discussão provocada pelo Anexo 1.1, mas o plano pretende ir além da execução dos projetos. Estamos juntos com as comunidades atingidas construindo uma visão de desenvolvimento para a região, fortalecendo relações entre iniciativas das comunidades e o mercado.” 

Abertura do encontro com grupos focais - Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab
Celiane Xavier, da Gerência de Reparação da ATI Paraopeba Nacab fez a abertura do Encontro com Grupos Focais
Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab

Encontro com Grupos Focais 

Nesta etapa, os participantes se dividiram em três grupos focais: Quintais Produtivos Agroecológicos, Bovinocultura de Leite e Laticínios Comunitários e Culturas Ancestrais e Tradicionais.  

Para Crispin Moreira, consultor da ATI Paraopeba Nacab e especialista em políticas públicas de combate à pobreza e desenvolvimento territorial, o objetivo foi aprofundar a compreensão sobre atividades que já fazem parte da realidade das comunidades. “Estamos reunindo pessoas que vivem essas cadeias de valor no dia a dia. São pessoas que compram insumos, produzem, comercializam e conhecem os desafios concretos da atividade. Queremos identificar quem são os atores envolvidos, como essas relações acontecem e quais os principais gargalos enfrentados.” 

Crispin Moreira, consultor da ATI Paraopeba Nacab explica sobre a metodologia que utilizada. Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab
Crispin Moreira, consultor da ATI Paraopeba Nacab e especialista em políticas públicas apresentando a metodologia dos Grupos Focais
Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab

As discussões mostraram que, apesar das diferenças entre os setores produtivos, existe um elemento comum: o desenvolvimento regional passa pelo fortalecimento das experiências já existentes nos territórios. Para Milton Cirino, da comunidade Vale das Garças, em Esmeraldas, os quintais produtivos representam uma estratégia que combina produção de alimentos, organização comunitária e qualidade de vida. “Aqui nós estamos falando das relações e interações que existem dentro dos quintais. É um espaço de integração entre vizinhos e de produção de alimentos de verdade. Queremos expandir essa produção e atender nosso estado e o Brasil, mas sempre com uma preocupação principal: produzir alimentos saudáveis, que fazem bem para quem consome.”

Grupo Focal de Quintais Produtivos
Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab

Nos debates sobre saberes tradicionais, reconheceu-se que o valor dessas produções está diretamente ligado aos conhecimentos transmitidos entre gerações. “Nesses encontros a gente percebe como nossa tradição, nossa origem e nossos conhecimentos são fundamentais para aquilo que produzimos e, principalmente, para preservar esses saberes.”, conta a artesã Adriane Angélica, da comunidade Córrego de Pedra, em Esmeraldas. “Quando a gente fala de cadeia de valor, o produto é apenas uma parte. Para chegar até ele existem nossos valores imateriais, nosso conhecimento, o lugar onde vivemos e as relações que construímos. Saímos daqui mais fortalecidas para defender nossas origens e nossa tradicionalidade.”, ela conclui.  

Grupo Focal de Cultura Ancestral e Tradicional
Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab

No grupo da bovinocultura de leite, os participantes discutiram os desafios econômicos dos produtores e a importância da organização coletiva para aumentar a competitividade do setor. João Luiz, da comunidade Cachoeirinha, em São José da Varginha, destacou que o fortalecimento da atividade depende da cooperação entre produtores. “O mercado está cada vez mais competitivo. Os custos aumentam e a margem do produtor diminui. Por isso, organizar os produtores é um dos grandes desafios.” Para ele, iniciativas coletivas podem ampliar oportunidades de comercialização: “Quando os produtores se organizam, conseguem comprar insumos mais baratos, contratar serviços com melhor qualidade e fortalecer a produção. Esse é o futuro da produção agrícola. Sem planejamento a gente não faz nada.” 

Grupo Focal de Bovinocultura de Leite
Foto: PH Reinaux / ATI Paraopeba Nacab

A proposta da ATI é dar continuidade à caracterização de mais cadeias de valor no território. As contribuições reunidas durante os grupos focais serão incorporadas à construção do Plano de Desenvolvimento Regional Comunitário da Região 3.  de modo que o documento sirva como uma ferramenta de planejamento para o futuro dos territórios atingidos, fortalecendo a produção local, a organização comunitária, os saberes tradicionais e a articulação regional para além da execução dos recursos previstos no Anexo 1.1. 

Leia mais:

20260829 - Encontro de Grupos Focais - UFV Florestal

Texto e Foto: PH Reinaux
Edição: Fabiano Azevedo
Publicação: PH Reinaux