Paraopeba

Auditoria socioambiental mostra atraso na Reparação da Bacia do Paraopeba

Demora na dragagem do rio Paraopeba é alarmante

Na quinta feira, 30 de abril, aconteceu a reunião mensal da AECOM, para repasses sobre a dragagem do Rio Paraopeba e Estudos de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE), além da apresentação da pesquisa sobre segurança dos alimentos, iniciado em janeiro. Todas as ações fazem parte do processo de Reparação Socioambiental da Bacia do Paraopeba devido ao rompimento da Mina Córrego do Feijão e apresentam lentidão em sua execução.

A AECOM, responsável pela auditoria socioambiental de ações relacionadas ao rompimento, informou que a ERM, empresa que assumiu os ERSHRE após a saída do grupo EPA, realiza uma campanha em toda bacia, apresentando a instituição e fazendo a revisão dos projetos detalhados dos estudos.

No cronograma da ERM, ocorrem dois tipos de reuniões durante a campanha: reuniões com o poder público e Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) e reuniões com lideranças e comunidades atingidas. Foram previstas 43 reuniões do primeiro tipo em toda Bacia. Até o momento, foram realizadas 36, sendo que, na Região 3, as reuniões com poder público foram em Fortuna de Minas, Florestal e Caetanópolis. Em março, foi realizada uma reunião da ERM com a ATI Paraopeba.

Com lideranças e comunidades atingidas, a estimativa é que sejam realizadas 414 reuniões de apresentação, porém, até o dia 10/04 foram concluídas apenas 40 reuniões – nenhuma delas com lideranças e comunidades da Região 3. De acordo com o cronograma da própria empresa, a previsão é que as reuniões sejam concluídas em maio de 2026.

Com o atraso, persiste a incerteza se os prazos serão cumpridos. Segundo avaliação da AECOM, o cronograma final dos estudos de risco não será comprometido. A auditoria informou que o processo de atualização dos projetos é considerado complexo e necessita de ajustes a serem feitos com diversos órgãos públicos ambientais.

Vale “concluiu” a dragagem do Trecho 1 mas não “encerrou”. Como assim?

A dragagem do Trecho 1 do rio Paraopeba foi dada como “concluída” em abril. Porém, para entender o processo, é preciso atenção. A obra pode ser operacionalmente concluída em determinado trecho, mas isso não significa que tenha sido finalizada.

Foram apresentados dois termos técnicos diferentes para descrever o estado do Trecho 1 (que compreende apenas 3 quilômetros do rio): operação concluída e operação encerrada. 

De acordo com a auditoria, “operação concluída” se refere a operação finalizada em determinado trecho; porém, ainda existem eventuais atividades na área. Já o termo “operação encerrada” refere-se à ausência de atividades no local. Os termos, apesar de similares, precisam ser explicados, já que a área cuja operação foi considerada concluída não pode ser considerada livre de rejeitos, pois as ações ainda continuam ocorrendo.

Assim, as operações no Trecho 1 podem ser consideradas concluídas, mas não encerradas, pois ainda ocorrem atividades nesta área. A previsão de finalização definitiva no trecho é junho deste ano.

A legenda apresenta duas fases de operação: “concluída” e “encerrada”. AECOM Advisory: período de 16/03/2026 a 15/04/2026

Dragagem de rejeitos: avanço lento e prazo comprometido preocupam

Na imagem acima, percebemos que, em um mês, a draga movimentou 8.067 metros cúbicos de rejeito no Trecho 1. Durante o período houve interrupção do funcionamento da draga e parte das atividades foram redirecionadas para a limpeza da área, em vez de continuar a remoção do rejeito previsto.

O ritmo lento e o redirecionamento das ações da draga para atividades secundárias indicam que o cronograma para dragagem do Trecho 2 – que ainda nem começou – não deve ser cumprido. As obras de dragagem para este trecho (que vai do km 3 ao km 6 do rio) estão previstas para terminarem na metade de 2027.

Desde o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em janeiro de 2019, o rio Paraopeba carrega rejeitos de minério do crime da Vale em seu leito. Sete anos depois, os trabalhos de dragagem ainda acumulam menos de 300 mil metros cúbicos removidos, sendo que os estudos mais conservadores apontam que 1,5 milhão de metros cúbicos foram lançados no rio após o rompimento.

Texto: Ester Louback, com a Gerência de Reparação do Nacab
Edição: Fabiano Azevedo