Teia Agroecológica de Mulheres

Teia Agroecológica de Mulheres realiza segundo intercâmbio com a presença da deputada estadual Bella Gonçalves 

Encontro foi marcado pelo fortalecimento da autonomia da rede de mulheres e das parcerias para continuidade do trabalho

O município de Florestal (MG) prometia um dia bonito e ensolarado na manhã do dia 23/05, em que o projeto Teia Agroecológica de Mulheres abriu as portas da Associação Florestalense de Agroecologia (Aflora) para receber os grupos de mulheres de oito cidades da Região 3. A promessa se cumpriu e, junto com muitas mãos e corações parceiros, como a própria Aflora, foi construído um dia de muita troca, aprendizado e fortalecimento de laços entre equipe, atores políticos e as mulheres atendidas pelo projeto. 

Cerca de 50 mulheres estiveram presentes. Além delas, participaram a coordenadora geral do Nacab, Marília Fontes, a deputada estadual e autora da emenda do projeto Teia, Bella Gonçalves, a vereadora de Contagem, Moara Saboia, o vereador de Fortuna de Minas, Juliano Barbosa e Ana Alice Tanuri, ambos representantes da Rede de Atingidos da Região 3. 

GALERIA 1 / 4

Roda de conversa com a deputada estadual Bella Gonçalves / Foto: Nathália Iwasawa 

Júnia Lousada, coordenadora do Teia Agroecológica de Mulheres, destaca a importância desse encontro. “Tanto Bella quanto Moara são lideranças que atuam em pautas fundamentais como o direito das mulheres, agroecologia, justiça socioambiental e a defesa da vida das pessoas atingidas pela mineração”, pontua. 

A escolha da Aflora para sediar o segundo intercâmbio do Teia também tem um fundamento importante: a associação é uma referência agroecológica, atuando no fortalecimento da economia solidária e da agricultura familiar da região. A presidenta da Aflora, Isabel Freire e a tesoureira, Priscila Santos, estiveram presentes, dando as boas-vindas e compartilhando as experiências da associação. Isabel abriu as portas para futuras parcerias com os grupos de mulheres presentes no Intercâmbio, um passo importante para a articulação da rede territorializada de comercialização. 

“Eu fiquei muito emocionada e me senti muito prestigiada e importante no sábado. Eu fiquei tanto tempo sem trabalhar, sendo só mãe, dona de casa… na hora que fomos apresentadas como parte da equipe, eu fiquei muito feliz”, diz Talita Soares, mobilizadora do grupo de mulheres de Cachoeirinha.  

A equipe do Teia Agroecológica de Mulheres é estendida às mobilizadoras do território, que foram eleitas pelo próprio grupo para apoiarem nos trabalhos de engajamento, organização dos grupos e repasses, facilitando a comunicação com as demais mulheres. Em Muquém (Pará de Minas) quem assume a tarefa é a Solange Santos, em Soledade (Pequi) Elisângela Couto e Marcelina Monteiro dividem o cargo, em Cachoeirinha (São José da Varginha) é a Talita Soares, e em Três Barras quem mobiliza é a Rosilene Gomes.  

Continuidade e futuro 

No período da manhã foi dada sequência à oficina de Cadernetas Agroecológicas, ministrada pela educadora Marina Ribeiro, integrante do Grupo de Estudos em Agricultura Urbana (AUÊ!) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi um momento para refletir sobre o trabalho do cuidado, tirar dúvidas sobre a ferramenta e construir coletivamente propostas para aprimorar o uso no dia a dia das mulheres. A primeira parte da oficina foi feita no primeiro intercâmbio, em março.  

GALERIA 1 / 5

Mulheres concentradas, com a mão na massa, durante oficina de Cadernetas Agroecológicas / Foto: Nathália Iwasawa

A feira com os produtos dos grupos, mais uma vez, foi um momento muito especial de reconhecimento das potencialidades de cada uma. Sabonetes naturais, artesanatos de todo tipo, quitandas, biscoitos, cremes e farinhas circulavam de mãos em mãos no intervalo do almoço. 

Na parte da tarde foi montada uma mesa redonda para prosear sobre o projeto Teia com a deputada Bella Gonçalves, autora da emenda, que sinalizou que o Teia Agroecológica de Mulheres terá continuidade em 2027, motivo de muita celebração para a equipe e todos os grupos presentes. À tarde também houve um momento de escuta e compartilhamento de perspectivas das atrizes e  atores políticos parceiros engajados na luta pelos direitos e valorização das mulheres e na construção da reparação da Região 3. 

Júnia Lousada avalia que o intercâmbio, de forma geral, deu fôlego para os próximos. “A gente fica muito feliz, emocionada de ver essa construção sendo tecida, sendo fortalecida, com tantas parcerias potentes numa região. Então a gente segue para o terceiro intercâmbio com muitos frutos para continuar fortalecendo essa teia de mulheres”, conclui. 

O intercâmbio agroecológico tem a proposta de ampliar o compartilhamento de experiências entre os quatro grupos assessorados e mulheres representantes de outras comunidades do território. O primeiro encontro, em março, aconteceu em Soledade (Pequi). 

Texto: Nathália Iwasawa 
Edição: Fabiano Azevedo 
Fotos: Nathália Iwasawa