No primeiro semestre de 2026, a Região 3 da Bacia do Paraopeba avançou na implementação do Anexo 1.1 do Acordo de Reparação, passando das etapas de consolidação da governança e priorização de danos – dedicadas à elaboração de diagnósticos relacionados a modos de vida, alimentação, atividade econômica, tradição cultural e economia tradicional – para a fase de priorização de projetos, linhas de crédito e microcrédito e definição de diretrizes regionais.
Esse percurso, construído com a participação direta das pessoas atingidas, apoiadas pelo trabalho da ATI Paraopeba Nacab, serviu de base para elaborar e escolher os projetos que poderão ser financiados no âmbito do Anexo 1.1.
Veja abaixo como foi esse processo.
Janeiro e fevereiro – Linha Piloto de Microcrédito proposta pela Entidade Gestora é questionada
Comunidades cobraram mais debates para avaliar o lançamento das linhas piloto

A Entidade Gestora (EG) do Anexo 1.1 apresentou proposta para implementar uma Linha Piloto de Microcrédito Social, com o objetivo de definir parâmetros e avaliar os perfis financeiros.
A proposta, no entanto, foi recebida com questionamentos das pessoas da Região 3, que consideraram precipitado o lançamento e avaliaram ser necessário aprofundar, antes, as discussões sobre crédito solidário no território.
Diante disso, a região focou na construção de propostas de projetos e das diretrizes para executá-los.
Março – ATI cria ferramentas para apoiar decisões
Caderno de Apoio e lista preliminar de projetos ajudam conselheiros e comunidades a avaliar propostas alinhadas aos danos priorizados
Para subsidiar conselheiras, conselheiros e comunidades na construção e avaliação das propostas, o Nacab elaborou o Caderno de Apoio à Escolha de Projetos. O material, disponibilizado às pessoas atingidas, reuniu e sistematizou os debates das reuniões, encontros, oficinas e escutas feitas desde o início do processo, mostrando quais danos foram relatados com mais frequência, como eles se espalham pelos municípios, e quais tipos de projetos podem ajudar a enfrentar esses problemas.
No mesmo mês, foi consolidada a lista preliminar de projetos da Região 3, construída a partir das demandas apresentadas pelas comunidades atingidas em rodadas comunitárias e instâncias de governança.
Também em março, a Entidade Gestora comunicou a suspensão temporária da Linha Piloto de Microcrédito Social, após questionamentos das instâncias regionais e das Instituições de Justiça (IJs) quanto à ausência de deliberação prévia pelos espaços formais de governança das pessoas atingidas.
Abril – 245 ideias de projetos ganham forma em encontro regional; EG publiciza a divisão de recursos
Encontro Rede de Projetos da Região 3 promoveu debates técnicos e qualificou propostas

Em abril, foi realizado o Encontro Rede de Projetos da Região 3 na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Florestal (MG), que reuniu cerca de 160 pessoas atingidas representando os Conselhos e Setores locais e regionais.
No evento, foram sistematizadas 245 ideias de projetos. Essas propostas foram organizadas por temas convergentes entre os municípios, promovendo debates técnicos e identificando informações complementares necessárias para o seu amadurecimento.
As IJs aprovaram o uso do Cenário B com a Variação 2 de indicadores para as Regiões 3, 4 e 5 na 1ª Onda. Reconheceram o esforço técnico da EG, mas lembraram que a necessidade de decidir sobre a divisão de recursos era conhecida desde o início.
Maio – Seminário define diretrizes para o desenvolvimento regional
Planejamento estratégico situa ações no território e estabelece prioridades como formação técnica, agroindustrialização e valorização de saberes tradicionais

Nos dias 18 e 19 de maio aconteceu o Seminário de Planejamento Estratégico Situacional para a Construção do Plano de Recuperação e Desenvolvimento Regional Comunitário (PRDC) em Pequi (MG), organizado pela equipe de Consultoria da Rede Terra e pela ATI Paraopeba Nacab. Como resultado, foram definidas diretrizes estruturantes para o desenvolvimento regional relacionadas a:
- Formação e assistência técnica para fortalecer capacidades locais;
- Agroindustrialização cooperativa para agregar valor à produção;
- Valorização dos saberes tradicionais das comunidades;
- Caracterização das cadeias de valor a serem potencializadas no território.
Também no final de maio, a Entidade Gestora realizou dois espaços formativos com as instâncias regionais (um com o Conselho e outro com o Setor) sobre as linhas de crédito e microcrédito
Junho – Conclusão da etapa de definição de diretrizes e priorização dos projetos
Conselhos, Setores e Entidade Gestora finalizam priorização e abrem caminho para próximas fases do Anexo 1.1

Com o acúmulo construído nos meses anteriores por meio das formações, rodadas comunitárias, do Encontro da Rede de Projetos e do Seminário Regional, as pessoas atingidas realizaram as agendas de definição de diretrizes e priorização dos projetos entre os conselhos, setores e a Entidade Gestora, iniciadas no final de maio.
Julho e Agosto – Crédito e Microcrédito voltam à pauta
Instâncias regionais pedem reuniões específicas sobre o tema; ATI apoia sistematização de decisões complementares

As instâncias regionais solicitaram à EG e à ATI a realização de novas reuniões sobre a definição das linhas de crédito e microcrédito. As reuniões iniciaram na segunda quinzena de junho e concluíram no início de agosto.
Ao mesmo tempo, os Conselhos e Setores identificaram a necessidade de complementar as informações definidas nos espaços participativos com a EG, e acionaram a ATI para apoiar na sistematização e formalização desses detalhamentos complementares. O Nacab auxiliou as instâncias a produzir atas de complementação ao longo de todo o mês de julho e parte de agosto, garantindo que todas as deliberações ficassem registradas.
Próximos passos
Com prioridades consolidadas, Região 3 aguarda início das próximas fases
O primeiro semestre de 2026 focou na consolidação da governança popular do Anexo 1.1 e na priorização de projetos. Foram passos importantes para garantir que os projetos atendam às demandas das comunidades, com a participação informada das pessoas atingidas guiando todo o processo. A Região 3 agora aguarda o início das etapas seguintes de análise de viabilidade, compartilhamento dos relatórios parciais, publicação dos editais e contratação das entidades executoras dos projetos priorizados.
Texto: Celiane Xavier e Ariane Silva
Fotos: Ariane Silva, Marcio Martins e PH Reinaux
Edição: Fabiano Azevedo

