NACAB - Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens

Povos de terreiro criam curtas em oficina oferecida pela ATI Paraopeba Nacab

A Casa de Cultura Clara Nunes, em Caetanópolis (MG), recebeu no dia 1º de abril a exibição de curtas-metragens realizados na oficina “Cinemacumba”, que possibilitou a utilização de linguagem audiovisual e cinematográfica com povos de terreiros e registro de suas realidades, em busca de um cinema que valorize e fortaleça as tradições afro-brasileiras.

O evento contou com a participação da equipe da ATI Paraopeba Nacab, além dos participantes das oficinas, vindos de diferentes casas de axé, que protagonizaram, dirigiram e gravaram seus próprios materiais. Os trabalhos feitos em cada um dos terreiros foram exibidos na sessão.  

Participantes das oficinas e integrantes da equipe da ATI Paraopeba Nacab celebram a conclusão das oficinas "Cinemacumba" e a exibição dos curtas, na Casa de Cultura Clara Nunes, em Caetanópolis

A oficina Cinemacumbafoi ministrada pela ATI Paraopeba Nacab, no contexto das formações de comunicação popular oferecidas às pessoas atingidas da Região 3. O processo de produção dos materiais se deu entre janeiro e fevereiro de 2025, com quatro encontros e carga horária de 20 horas

"A atividade revelou alguns talentos de pessoas que tiveram oportunidade de expressar seus modos de ver e retratar suas próprias comunidades. O objetivo da oficina é que essas pessoas se empoderem das ferramentas e possibilidades técnicas que o audiovisual nos oferece”
Dani Drumond
Facilitador da oficina e videomaker da ATI Paraopeba Nacab

O projeto aconteceu em três centros de religião de matriz africana: o Centro Religioso de Umbanda Pai Xangô, em Papagaios, o Terreiro Aldeia das Folhas Tenda Pai Julião das Almas, em Paraopeba, e o Terreiro Oxóssi Sultão das Matas, na comunidade quilombola de Pontinha, também em Paraopeba. Todos puderam se envolver com todo o processo de confecção de um documentário, roteirizando, filmando, editando e exibindo.

O resultado foi a produção coletiva de um curta-metragem em cada uma das casas. “A exibição foi um momento muito emocionante. Foi interessante poder integrar as três casas de Umbanda. Casas que têm suas diferentes formas de manifestar suas crenças e de organizar suas giras. Ou seja, foi um momento de abrir possibilidades”, completou Dani Drumond. 

Texto e fotos: Iara Milreu Lavratti
Edição: Fabiano Azevedo