Paraopeba

Cuidado com a saúde segue a passos lentos na Região 3

Pessoas atingidas continuam sem respostas sobre a primeira fase de estudos ambientais e trabalho sobre a qualidade da produção agropecuária segue em fase de testes

Em julho, a auditora socioambiental AECOM apresentou alguns dados parciais sobre os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE), além dos dados sobre o andamento do estudo sobre a produção agropecuária e dos peixes, na Bacia do rio Paraopeba. 

Até o momento da reunião, haviam sido realizadas 90 das 414 reuniões previstas com lideranças e comunidades atingidas – cerca de 21% do planejado – para apresentação da ERM, nova empresa responsável pelos ERSHRE. A divulgação dos resultados da primeira fase dos estudos, feita pelo Grupo EPA na Região 3, está prevista para o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. 

Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde autorizou ajustes no cronograma da ERM, o que gerou apreensão das pessoas atingidas sobre os atrasos, uma vez que maio era o prazo de conclusão da etapa atual dos ERSHRE. Além disso, a invalidação das coletas feitas pelo Grupo EPA exige que a segunda fase dos estudos comece do zero, com novas coletas de solo, água, poeira. 

“A invalidação das coletas anula uma parte dos anos de trabalho de campo, impondo a necessidade de submeter as pessoas atingidas, novamente, a processos de entrada em seus terrenos, moradias e cotidianos. Isso pode até mesmo gerar fadiga e indignação, já que a Fase 2 precisará ser reiniciada do zero e recursos da reparação já foram utilizados com essas atividades. Enquanto isso, as pessoas seguem expostas aos rejeitos e sem ter certeza sobre os riscos que podem estar correndo”

Graziely Lima, da ATI Paraopeba Nacab

Para participar das reuniões sobre os ERSHRE com a ERM, é necessário entrar em contato com a empresa, pelo WhatsApp 800 122 0800.

Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado

O Estudo da Produção Agropecuária e do Pescado na Bacia do Rio Paraopeba (EA) tem o objetivo de avaliar se os alimentos produzidos nas regiões atingidas estão adequados para o consumo, nos 29 municípios inseridos nos ERSHRE. Incluído no processo de reparação após solicitação das comunidades atingidas e dos órgãos de controle, o projeto, cuja obrigação de pagar é da Vale, terá análises e relatórios técnicos da Fundação COPPETEC/UFRJ. 

Entre maio e junho, foram aplicados 60 questionários de teste, nos municípios de Betim, Brumadinho, Curvelo, Paraopeba e São Gonçalo do Abaeté, para adaptar o vocabulário técnico do estudo à realidade dos locais atingidosA aplicação oficial dos questionários está prevista para começar entre agosto e setembro, após ajustes nos documentos e a validação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG). 

Clique aqui e leia uma matéria sobre o estudo, publicada na edição #15 do Jornal Reparação (página 3), divulgada em junho de 2026. Veja um vídeo em que a equipe do Nacab explica melhor sobre este estudo.

Saiba mais:

Texto: Marcos Oliveira
Edição: Fabiano Azevedo
Publicação: Marcos Oliveira

Foto: Bárbara Ferreira